OBVIOUS

Tô me sentindo muito sozinha, com Luiz Arruda


mensagem final dos artigos da Obvious

Marcela Ceribelli: Em uma das suas últimas entrevistas para o programa Panorama, da TV Cultura, a escritora Clarice Lispector disse que todo adulto é triste e solitário e que as crianças são menos sozinhas porque possuem a mente aberta para fantasiar. Ainda depois, quando perguntada sobre em qual momento os adultos se tornam tristes e solitários, ela respondeu que isso era um segredo, ou que talvez baste passar um choque muito grande para que nos tornemos assim. Apesar de Caetano ter feito com maestria, falar sobre solidão nunca foi fácil, mas se conscientemente sabemos que somos seres singulares e naturalmente sós, porque isso ainda é um tabu tão grande? Por que ainda sentimos tanto medo do silêncio que existe em nós mesmas? E será que a solidão é mesmo um sinônimo de tristeza ou uma eficaz e insubstituível ferramenta para o autoconhecimento? Até que esse tema demorou para passar por aqui em um ano como 2020, mas chegou a hora de investigar e confrontar essa tão complexa solidão. Bom dia, Obvious. Eu sou Marcela Ceribelli, CEO e diretoria criativa da Obvious e hoje converso sobre o vasto e profundo universo da solidão com o meu amigo, pesquisador de tendências e head da WGSN Mindest América Latina, Luiz Arruda.

Marcela Ceribelli: Luiz, seja bem-vindo ao episódio 69 sobre solidão do Bom dia, Obvious. Como você está?

Luiz Arruda: Bom dia, Obvious. Estou aqui de novo, bem, sozinho.

Marcela Ceribelli: Amigo, você já esteve aqui antes para falar sobre a falta de tempo, também conhecido como o episódio “não tenho tempo pra nada”, mas para quem ainda não te conhece você pode se apresentar?

Luiz Arruda: Eu sou Luiz Arruda, head da WGSN Mindset da América Latina, que é a divisão de consultoria da WGSN e para quem não conhece, a WGSN é a empresa líder global sobre pesquisa de comportamento, consumo, tendências, pesquisamos sobre expressões inovadoras de comportamento, estudamos as pessoas para conseguirmos mapear o futuro. Eu sou um carioca radicado em São Paulo, nunca soube ficar sozinho e por isso esse assunto está no centro das minhas discussões, estudos e reflexões pessoais. Acho que a solidão nunca foi uma constante na minha vida, mas eu me vi, de um tempo para cá, refém da minha incapacidade de ficar sozinho. E acredito que ainda tem pessoas que acham que estar com alguém é métrica de sucesso ou de uma vida adulta bem sucedida, acho que estamos aqui hoje para quebrar isso.

Marcela Ceribelli: Quando você diz “de um tempo para cá”, convenhamos, estamos falando de um período pandêmico, de isolamento e que mesmo pessoas que não estavam interessadas com a pauta, foram escancaradas com a solidão. Mas me impressiona muito que esse tema foi parar em pesquisas da WGSN, a que ponto chegamos para isso acontecer?

Luiz Arruda: Bom, chegamos a muitos pontos, esse é um tema amplamente discutido. Na verdade, estamos falando da solidão como uma ameaça do isolamento social, da desconexão emocional. Tem um relatório da Fundação de saúde mental do Reino Unido fala que 48% das pessoas acreditam que estão ficando cada vez mais sozinhas e os Millenials, pessoal entre 20-40 anos, são a geração mais solitária da história e a geração Z, 18-24 anos, tem quatro vezes mais chances de se sentirem solitários o tempo todo. Então estamos falando de uma juventude solitária, muito se fala sobre uma recessão social, aquele lugar onde a sociedade se colapsa por causa da falta de interação humana, já era um problema antes da pandemia e se acelerou, não é à toa que já tem um Ministério de solidão no Reino Unido, a Inglaterra criou em 2018 uma secretaria especial para a solidão, isso faz muito sentido em países que a população envelhece mais do que nasce.

Marcela Ceribelli: Mas você acredita que é um problema estarmos mais sozinhos? Para nossa geração Millenials, você acha que pode ser um pouco das oportunidades de, por exemplo, mulheres que se sentem obrigadas a estarem casadas em relacionamentos infelizes? Eu consigo ver uma perspectiva mais otimista.

Luiz Arruda: Para mim essa é a discussão, estamos aqui para desconstruir a ideia de solidão como uma falha, problema. Para mim é o rebranding, que é colocar uma cara nova na maneira em que vemos a solidão. Se pensarmos, a solidão é um sentimento universal, mas a questão é a maneira que ela foi construída desde que o mundo é mundo. Para a bíblia, por exemplo, Deus criou todos os animais em pares e quando criou Adão, o criou sozinho, a primeira coisa que é interessante para mim é que Adão não se sentiu sozinho. A solidão como deficiência, problema, falta, é uma construção social, é óbvio que o homem é um se gregário. Esse lugar da solidão como doença tem que ser desconstruído, ela é vista como punição, por exemplo, o Karnal fala que o pior castigo da prisão é a solitária, o fim de um casamento é ser deixado, a criança quando fica de castigo é deixada sozinha, não existe a expressão “casadona”, existe a expressão “solteirona”. Então esse lugar, esse repertório negativo e essa semântica em torno da solidão como um problema tem que ser colocado em questão, é exatamente isso que temos que transformar, já que a sociedade está mais super solo e entender que isso não é negativo e pode ser positivo.

Marcela Ceribelli: Eu entendo e acho que deveríamos entrar nessa dicotomia entre solitude e solidão, mas no mesmo sentido, queria entender um pouco da sua visão como pesquisador, como vamos de estar sozinha para sentir solidão? Necessariamente estar sozinha é sentir solidão? Quando a solidão chega? A solidão é sobre se sentir ou é um estado? Como saber se eu sofro de solidão?

Luiz Arruda: Esse ponto é muito interessante. Penso que estar junto também pode ser estar só, a solidão a dois refuta essa ideia de que para sentir a solidão precisamos estar sozinhos, esse ponto é muito fundamental.

Marcela Ceribelli: Não só parceiro amoroso, mas também, por exemplo, quando você mora com os seus pais e se sente sozinho, não é sobre a presença física, certo?

Luiz Arruda: Não é sobre a presença física e nem sobre a digital e acho que vocês da Obvious têm discutido muito essa história. Tem uma metáfora do Schopenhauer que é o dilema do porco-espinho, ele observou que os porcos-espinhos se juntavam durante o inverno para ter mais calor, mas a partir do momento em que eles se juntavam, os espinhos feriam e eles ficavam entre sentir frio ou dor, acho que é uma imagem perfeita do que vivemos, estar sozinho é sentir frio e a solidão, mas às vezes é estar com o outro e conviver com essas diferenças, conviver com a sua família, seu parceiros, seus amigos, é de fato um equilíbrio.

Marcela Ceribelli: Queria fazer só uma ressalva, menos pets, eles são perfeitos.

Luiz Arruda: É muito interessante começarmos a discutir essa outra dicotomia da solidão, ela pode ser a dois, a dez ou sozinho. E vemos o papel dos outros para nós, a solidão não é só sobre estar sozinho, mas também sobre a dificuldade de estar com outros. Essa ideia do inferno é os outros é perfeita, conviver com ser humano é difícil, muitos acadêmicos falam que somos programados para viver com o igual, e não é à toa que temos várias discussões sobre diversidade, conviver com a diferença faz com que entendamos mais sobre nós mesmos e sobre o mundo. Acho que o jeito mais fácil de exemplificar a dificuldade de conviver com o outro é pelo amor romântico, porque vem a questão das concessões, a dor é com um parceiro que você vê intensamente essa diferença. Para mim isso é interessante, eu prefiro conviver com essa dor que é estar com outro, mas que também me traz prazeres incríveis ou eu me dou chance de estar sozinho para refletir, entender mais sobre mim? Para mim, sempre volta na questão do porco espinho, que é um ponto muito claro, estar junto também causa dor e estar sozinho é ruim, no fim do dia estamos falando sobre um equilíbrio. Certamente, a pessoa que se isola não é feliz, assim como a que está rodeada de pessoas tem muito mais dor e não conhece se experimentar, é a dificuldade de viver consigo mesmo, buscamos o outro para fugirmos de nós mesmos, ficar sozinho é muito difícil, o outro te oferece distração, faz com que você fuja dos seus medos e fantasmas.

Marcela Ceribelli: Acho que o barulho do outro silencia os nossos demônios internos, mas não é só sobre isso no amor romântico, cada um vai ter o seu aprendizado, com certeza é melhor se você entrar em um relacionamento já conseguindo ficar sozinha, é muito difícil entrar em um relacionamento em que o outro não suporta ficar sozinho. Eu sou apaixonada por estar sozinha e é um exercício diário, no meu relacionamento atual e todos os outros que eu já tive, explicar que eu preciso ficar sozinha e vejo de amigas minhas, quando elas não suportam o silêncio em uma relação, passam a colocar uma carga no outro. Equilíbrio, você não pode fazer com que o outro não se sinta amado, porque presença também é demonstração de amor, mas tem esse lugar de não permitir o outro respirar dentro de um relacionamento. Vou voltar a insistir nas amizades, quando falamos da tecnologia e das gerações mais jovens, temos uma presença que não vai embora, que é a das telas, tem um desafio maior de relacionamentos, é muito mais fácil você socializar com a sua amiga do Twitter, é no seu tempo, se você responde ou não, do que uma convivência na vida real, que exige esforço, carinho, altruísmo. Você acha que nesse cenário nós vamos entrar em uma solidão compulsória? Que está ficando um pouco viciante se afastar e se isolar por uma facilidade dos relacionamentos?

Luiz Arruda: Não é à toa que falamos tanto da cultura do unfollow. Estamos começando a entender qual é o grau de intensidade e qual é o tamanho que a socialização das redes sociais traz para gente, por muito tempo achávamos que só existiam benefícios, mas ao mesmo tempo tem o outro lado, das personas que são criadas, da ansiedade, positividade tóxica, a cultura do unfollow, mesmo que tenha limites para essa relação, ela está sempre ali. A questão da solidão e das relações nas redes sociais, é muito central, acho que ela desvia a gente da interação humana genuína, cria uma conexão ilusória e que não apresenta as dificuldades e benefícios de uma relação constante, humana, presente. É quase como se ela criasse um terceiro espaço para nos relacionarmos de uma outra forma, mas elas não resolveram o problema da solidão. Parecia que ela tinha resolvido a questão do espinho, você tem o mínimo de calor e não se machuca, o problema é que é uma relação menos orgânica e menos profunda, que por questões algorítmicas, faz com que você se relacione com iguais, fazendo com que você reflita menos sobre o mundo e sobre você. E a diferença faz com que enxerguemos mais. Furando a nossa bolha temos uma perspectiva de mundo que faz mais sentido e as redes socias não permitem contato com as diferenças, tem um limite para aquilo e é um problema porque ficamos cada vez mais dentro de uma bolha. Por exemplo, tenho uma reunião de família em que todo mundo brigou, mas nas redes sociais eu posto uma foto filtrada de que o resumo daquele momento foi feliz, digno de ser registrado e com o passar do tempo, olha para foto de novo e isso vai alterando a minha percepção sobre as coisas. Temos um olhar muito complexo das redes sociais, elas não permitem conexões genuínas, não nos dão conexões com a diferença e fazem com que alteramos a nossa memória dos fatos.

Marcela Ceribelli: Luiz, eu fiquei pensando da questão das expectativas e dos relacionamentos que estão cada vez durando menos, nunca me esqueço da frase da Michelle Obama que diz que se não vivemos o pior dos relacionamentos, deixamos de viver o melhor deles e eu acho que temos que passar pelos quebra-molas dos relacionamentos, tem que ter momentos de desconforto, mas é claro que isso não está no Instagram. O que eu quero dizer, se começarmos a colocar as nossas expectativas em relacionamentos filtrados, em stories de 15 segundos que não contam nem a metade da missa, você acha que a expectativa está muito desconectada da realidade? E é por isso que estamos desistindo mais fácil?

Luiz Arruda: Acho que é uma hipótese que faz muito sentido, tem muita gente crescendo com esse ideal de vida filtrada achando que isso vai se reproduzir na vida real, mas não vai. É entender que as lombadas fazem parte do processo e que às vezes é melhor passar por elas sozinho. O livro da Sara Maitland “como ficar sozinho” e vários vídeos da School of life, falam que estar com uma pessoa não garante o fim da solidão e que o medo de estar sozinho é responsável pelas relações mais infelizes e pelas nossas piores decisões.

Marcela Ceribelli: Que tristeza, é tipo date ruim, você voltando seis da manhã no uber pensando “que erro”.

Luiz Arruda: Acho que esse ponto é muito importante e é uma luta contra o que foi construído, eu prefiro estar sozinho e me conhecer, entender e me amar, e vier uma outra pessoa ela não esteja ali para aplacar a minha solidão. O pessoal da School of life fala que quando duas pessoas estão em um relacionamento com a motivação de não ficarem sozinhos, se estabelece um jogo silencioso de quem tem mais medo de ficar sozinho, por exemplo, entra uma discussão e a pessoa que tem menos medo de ficar sozinha diz “eu vou embora, não quero mais isso” e a outra cede, já vimos isso em todas as relações. Quando eu entendi isso, foi um despertar dessa ideia de que eu preciso ficar sozinho comigo mesmo para não ter que passar por isso em relacionamento nenhum, não pode existir um jogo velado em que uma pessoa consegue estar mais sozinha que a outra. O melhor seria que as duas pessoas conseguissem estar naquele relacionamento inteiras e entendendo a realidade, com as lombadas, com a possibilidade das pessoas se transformarem e aquele relacionamento não fazer mais sentido e está tudo bem. A solidão é colocada como esvaziamento, dor, doença, falta e a solitude é a mesma coisa, você está sozinho, mas faz disso uma oportunidade de crescimento e não é bullshit, tem milhões de estudos acadêmicos sobre isso. É esse lugar de crescimento, reflexão, de ter experiência de viver à vontade sem a voz dos outros, a voz dos outros nos limita de faz o que queremos e quando queremos, é óbvio que ela é importante, mas se vivemos buscando o outro, não existe espaço para nossa voz e é aí a solitude pode ser maravilhosa. Existe esse lugar de descobrir a beleza da solitude e o que tem de bom nessa história, autoconsciência, produtividade, aumentar a capacidade de resolução de problemas, criatividade, diminuição de stress. Estar sozinho, além de te libertar para o mundo e te tornar uma pessoa muito mais interessante, te permite ser mais ativo, produtivo, mais relaxado. E temos recursos para esses processos, a leitura, a meditação.

Marcela Ceribelli: Eu estou meio assustada, será que eu só tenho hobbies solitários?

Luiz Arruda: Mas você é uma pessoa que lida com gente o tempo inteiro, talvez se você não tivesse esses hobbies você estaria em um outro lugar, do ponto de vista de bem-estar. Encontrar esses lugares e jornadas sozinhos é o que vai te permitir estar com os outros, mais inteiro, sem aquela guerra silenciosa, sem pular de relacionamento em relacionamento, sem precisar obsessivamente dos seus amigos, sem se sentir mal porque a sua família não está ali no momento em que você precisa. E isso é um dilema muito jovem-adulto, construir esses hábitos é muito fundamental.

Marcela Ceribelli: Quando você fala da meditação, tem a ver com o mindfulness que é o exercício de atenção plena e tem os esportes, tudo é sobre silêncio e como podemos silenciar a nossa mente. E quando eu entrevistei a Andréa Perdigão, que é a voz do “Calm” no Brasil, ela fala do quanto temos medo do silêncio e eu começo a conectar o medo do silêncio com o medo da solidão. Por que você acha que ambos são tão desconfortáveis na prática? Por que você acha que dói tanto?

Luiz Arruda: Bom, a sabedoria popular brasileira já diz, cabeça vazia é oficina do diabo. Estar sozinho ou em silêncio é necessariamente, conviver com os seus próprios pensamentos e é muito difícil, principalmente se você não tem o costume de estar com você mesmo, então aquilo fica insustentável, ainda mais para quem é ansioso que reproduz os piores cenários. A partir do momento em que você descobre práticas, recursos e prazer em ficar em silêncio, de novo, isso é uma prática, não vai acontecer do dia para a noite, cada vez menos vêm esses sentimentos negativos e cada vez mais você está mais pronto para você mesmo e para o outro. O Niqolas Ruud tem um TedTalk “the art of alone”, que fala sobre a solitude intencional, que é esse lugar de você começar a descobrir a beleza de ficar sozinho e entender isso como prática, do mesmo jeito que as pegamos o celular, porque é impossível e impraticável ficarmos com nós mesmos. E ele falou que começou a achar práticas que só podia fazer sozinho, ou outras que ele não tinha companhia para fazer, todo mundo passa por isso, você gosta de uma coisa que os seus amigos não gostam e acabamos não fazendo ou fazendo menos. Ele falou que os maiores inventores, criadores, sábios da humanidade, dão essa dica, como o Einstein. O Nikola Tesla fala, “esteja sozinho, esse é o segredo da invenção”. A partir do momento que você consegue criar um exercício de refletir, sem que surjam os pensamentos ruins, você percebe que é ali que surge tudo, a sua potência está com você e com os outros você vai dividi-la. O Niqolas Ruud fala, temos décadas de pesquisam que mostram que quando colaboramos em grupos, somos menos produtivos, mas quando pensamos sozinhos primeiro e depois dividimos com o grupo, existe um lugar de trabalharmos com a nossa própria potência e depois dividir diversidades e diferenças em grupo.

Marcela Ceribelli: É exatamente assim que fazemos na Obvious, todo mundo pensa primeiro e traz para dividir. Antigamente, tentávamos fazer o brainstorming que na teoria é lindo, mas na prática todo mundo fica meio bagunçado, eu sou 100% a favor de pensar primeiro e depois dividir com o grupo. Mas eu não tenho a menor dúvida de que a criatividade combina com a solidão.

Luiz Arruda: Ter esse momento sozinho e exercitar é maravilhoso. Não precisamos ficar nesse lugar binário de ou temos que ficar sozinhos ou juntos, por que não podemos ser os dois? Já está claro que temos benefícios dos dois lados. E entramos em outro ponto, queremos sempre estar juntos, mas quando ficamos juntos, estamos na tela do celular, não aproveitamos o grupo. A partir do momento que temos uma consciência individual e estamos bem com nós mesmos, não vamos precisar de um apaziguador, não vou estar usando o outro para não estar sozinho, como escudo, eu vou estar ali inteiro. A School of life fala isso, sobre não levarmos o túmulo para antes, vamos estar sozinhos, não vamos precisar de escudo se realizarmos que talvez não existam amigos para vida toda, uma alma gêmea, isso é bom porque eu vou me conhecer mais, ser mais seguros e as relações com as outras pessoas vão deslanchar. A partir do momento que você está bem consigo mesmo, fez a sua meditação e depois encontra com os seus amigos, eles não estão ali como escudo, não são um airbag para os seus problemas.

Marcela Ceribelli: Acho que o maior desafio nos relacionamentos é conseguir reparar o que é o ego e o que é o Zazen, é você entender quando você está agindo por vaidade e quando aquilo é sobre você ou não. E muitas das vezes, 90% de todos os conflitos, se você consegue separar a razão de você estar agindo de certa maneira e porque o outro está agindo de outra maneira, você vai conseguir se entender de uma maneira muito melhor naquela discussão. Então o autoconhecimento é como se fosse uma armadura para os conflitos com os outros, mas vai ter que ser sozinho e isso resolve um pouco das paranoias de quando você estiver sozinha de novo. Por exemplo, no ambiente da internet, quanto mais você frequenta esse ambiente, mais vai ter que lidar com opiniões sobre você e diferentes da sua, quanto mais você entende que isso é sobre o outro e não sobre você, mais feliz você vai ser. Eu entendo que tem um pouco da gangorra de estar muito bem sozinha para estar bem acompanhada e vice-versa e ela é para sempre. E eu vou terminar como eu comecei, se tem um aprendizado que dá ferramenta para as pessoas é entender o que é o ego e o que é o Zazen, ele mudou a minha vida.

Luiz Arruda: Temos que entender o outro lado e que também somos sozinhos, isso facilita a maneira como vamos estar juntos. Tem um TedTalk que fala do stranger luck, a sorte do estranho, sabe aquele sentimento de quando você se conecta com um grupo de pessoas que você não conhecia e que viram seus amigos na mesma hora ou uma paixão avassaladora? Isso mostra o quanto você é capaz ou merecedor desse amor, carinho e dessa paixão, isso acontece a partir do momento que você entende que você é capaz disso e que não são os seus amigos, família ou parceiro que vão te dizer que você é incrível. Queria terminar nessa ideia de que estar bem com você mesmo é passar pelo stranger luck o tempo inteiro, você vai ter que entender que é bom o suficiente, não vão ser os outros que vão te dizer isso.

Marcela Ceribelli: Comenta qual foi o TedTalk que você falou e outras bibliografias que as mulheres que escutam esse programa podem utilizar para chegar nesse lugar.

Luiz Arruda:  Tem o livro “como ficar sozinho” da School of life, “o dilema do porco-espinho” do Leandro Karnal, que fala da perspectiva histórica, o “hour of necessary lonliness” do Mori Hiroshi e os TedTalks são: “How to be alone” da Lane Moore e o “the art of alone: intentional solitude” do Niqolas Ruud, são todos muito simples e fáceis, mas eu aconselho vocês a pesquisarem sobre isso, é um assunto interessantíssimo. O processo pelo qual eu estou passando é sair da dor e ver uma luz gigantesca, você começa a criar a sua necessidade de estar sozinho e isso é muito lindo, significa que você vai ser melhor para si mesmo e para os outros.

Marcela Ceribelli: Obrigada, Luiz. Eu vou deixar uma dica, que não é bibliográfica, mas cabe nesse papo, que é para vocês comprarem o sugador de clitóris, porque pode resolver muita coisa.

Luiz Arruda:  Não posso falar nada sobre essa dica, mas super aconselho.

Marcela Ceribelli: Obrigada, Luiz. Bom dia, Obvious.

Muito obrigada a você também, que nos escutou até aqui, mas a nossa conversa não tem fim. Continuamos semanalmente na nossa Newsletter que você pode se inscrever no www.obvious.cc , no Instagram @ObviousAgency e com comentários e sugestões sempre com carinho no [email protected] . Bom dia, Obvious.

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