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Em busca do match perfeito


mensagem final dos artigos da Obvious

Era uma vez uma mulher tomada por um amor avassalador. Após um primeiro encontro na quinta-feira, foram morar juntos no sábado, na segunda-feira foram apresentados para as respectivas famílias e viveram felizes para sempre – ou pelo menos até hoje, cinco anos depois. Essa é a história de Guadalupe Albuquerque e de seu amor à primeira vista – ou melhor, ao primeiro match. Porque sim, eles se conheceram em apps de encontro.

Minha primeira experiência com aplicativos foi nas duas semanas que passei solteira em 2016, quando todo mundo já tinha saído, ficado e terminado com alguém que conheceu por lá. Coloquei cinco fotos bem gatinhas e escrevi na minha bio:

E aí que vem a pergunta: o que é o tal do case de sucesso dos aplicativos de namoro? Entre as cento e poucas pessoas que respondem minhas enquetes aleatórias no Instagram, 67% saiu com alguém que conheceu pelo app, 60% transou e 34% namorou. Sete estão em relacionamentos longos que variam de 1 a 6 anos, uma casou e uma teve um filho.

No documentário “Swiped” (HBO, 2018), a jornalista Nancy Jo Sales apresenta as estatísticas de que 80% dos usuários do aplicativo buscam por um relacionamento sério mas 81% nunca conseguiu, argumentando que isso seria a prova cabal da falha intrínseca desse tipo de tecnologia. (O que só faz sentido se a gente lembrar que ela reclama de tudo que seja cultura jovem.)

“Sou uma jovem garota de 17 anos, que sabe cozinhar sopa muito bem, deseja casar com alguém, não importa quem seja, e não teria problemas se essa pessoa tiver quebrado a perna.” É possível entender que Sales faria objeção a esse tipo de descrição e a essa visão capitalista que coloca o ser humano como objeto a ser anunciado. O problema é que isso não é uma bio de aplicativos, e sim um anúncio de jornal de 300 anos atrás. 

Antes dos aplicativos, tivemos anúncios de vídeo e programas de aconselhamento – lembra aquele episódio de Sex and the City quando a Carrie vai dar uma palestra e na real todo mundo só quer saber como e onde conhecer homens? O enredo de “Anna Karenina” é basicamente uma operação cupido sem a Lindsay Lohan.

O que os aplicativos fazem é aumentar as possibilidades de se conhecer pessoas, rompendo as barreiras de se estar no lugar certo e na hora certa – isso sem falar na segurança e praticidade para casais LGBTQIA+. 

(Talvez por isso os livros de ficção estejam cada vez mais curtos? Já que as centenas de páginas para fazer dois personagens se conhecerem foram eliminadas por um arrasta pro lado?)

Mas o que é o sucesso nos aplicativos? É namorar? Transar? Conhecer alguém legal? Às vezes aquela pequena descarga de dopamina* do match é suficiente? Se o aplicativo é problemático por distanciar as pessoas através das telas, qual é o papel em um contexto de pandemia em que as telas são o único portal de aproximação?

(* Esse medicamento deve ser usado com moderação.)

Será que a conversa antes do contato pessoal aumenta as chances de conexão intelectual? Será que a visão estilo cardápio dos aplicativos faça com que seja mais difícil se apaixonar? Será que é seguro?*

(* Dá pra dizer que estamos no caminho certo quando o aplicativo busca ter um sistema de segurança que, entre outras coisas, evita que qualquer usuário finja que é outra pessoa.)

Quando entrevistei a vocalista da Warpaint, há mais de 5 anos, a minha primeira pergunta foi: o que é sucesso? “É fazer o que você ama e viver disso,” ela disse. O sucesso da nossa experiência humana é sempre subjetivo (e subjetivado, diria Foucault), então por que seria diferente nos vários territórios da expressão da vida amorosa? 

E, no fim, ser contra ou ser a favor não faz muita diferença. Ao que tudo indica, em 2040, 70% dos casais terão se conhecido online. Se não pode vencê-los, junte-se a eles 🗣️

Essa matéria é patrocinada por Inner Circle, que assim como a gente acredita tanto no amor ao primeiro match, quanto na delícia que é aquele flertezinho safado via app de relacionamento. gostoso demais. vamos de chance? baixe o app por este link e ganhe o 1º mês de assinatura premium grátis, bb!

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