OBVIOUS

Dinheiro, dinheiro, namorados à parte


mensagem final dos artigos da Obvious

De acordo com a filósofa especialista em metafísica Lana Del Rey, “Dinheiro é a razão pela qual existimos” e “O mundo foi feito para viver a dois e a vida só vale a pena se alguém ama você”. O questionamento existencial por trás das duas declarações é esse: como unir dinheiro e amor? (E não estou falando de virar sugar baby.)

A boa notícia é que eu já estraguei minha vida dividindo dinheiro por amor. (Boa pra você, né, pra mim foi péssimo.) Isso me fez acumular grandes (traumáticas) lições que me capacitam como economista barra psicóloga barra coach. E a primeira coisa a ser falada é: roubando os conceitos de Bourdieu sobre poder simbólico, não tem como esquecer que dinheiro é poder. E, em um mundo em que a mulher recebe 0,70 centavos para cada 1 real que um homem recebe, essa dinâmica de poder já começa injusta.

No início do relacionamento, a pergunta clássica é: quem paga a conta. O homem que paga? É pra dividir 50/50? A mulher paga 30% a menos pra compensar essa disparidade do mercado? Nos primeiros encontros, até pode ser um pouco mais simples. Mas depois que vocês já tão saindo faz 3 meses, já transaram pra caramba em todas as peças da casa e foram pra, sei lá, 20 encontros, a coisa começa a ficar mais complicada. E é só passar pra fase de morar juntos que fica pior ainda. Conta de luz? Aluguel? IPTU? Mercado? Internet?

A vida me ensinou (com tapas na cara) que dividir tudo não é a melhor das ideias e a Kristin Cavallari deu uma lição de independência financeira com uma fala que termina com a censurada frase “poder da p*peca”. Carrie Bradshaw, mesmo sendo um dos piores exemplos de inteligência financeira da história da televisão, acerta em uma coisa: ela decide manter seu próprio apartamento depois de se mudar com Mr. Big. (Essas referências são restritas para millennials que cresceram vendo The Hills, Laguna Beach e Sex and the City.) 

A ideia de ter um lugar próprio em que ela (e as amigas) podem ir para passar algumas horas ou dias sozinhas é maravilhosa, mas tem uma coisa ainda mais importante por trás: a gente não pode ficar refém de dinheiro de homem. Mesmo dividindo tudo (ou quase tudo), nós precisamos ter um investimento próprio, em nós mesmas, na nossa segurança, e, principalmente, na garantia da nossa liberdade de ir embora.

Tá, vamos pra listinha prática:

Não tem como ir em restaurante caro todo dia a vida é difícil
A vida conjugal começou, existe uma diferença salarial e um de vocês não consegue seguir o estilo de vida do outro? Seus problemas acabaram! Mentira, mas pelo menos tem uma dica. Que é: sentar, conversar, abrir os holerites, explicar expectativas de gastos e definir um teto de gastos para a vida a dois. É importante não só entender quanto cada um ganha mas também o comportamento de gastos: quem gasta mais? Em quê? Como isso vai ser acordado? O momento de definir o teto dos gastos pode ser também o momento de levantar essas questões e conversar abertamente sobre o que cada um acha. Tá mas o que acontece se uma pessoa perder o emprego? No relacionamento vão existir empréstimos? Bom, cada caso é um caso, mas essa resposta é uma bosta então vou falar um pouquinho mais (ou pelo menos reiterar uma ideia): a hora de sentar e conversar é a hora de falar tudo. Anota a pauta e vai! Quando rolar, é bom invocar Charlie Brown Jr e ser menos “vivemos tempos de loucos amores”, e mais “a vida me ensinou a lutar pelo que é meu”.

Conta em casal: conjuntar ou não conjuntar, eis a questão
Houve uma época em que a conta conjunta facilitava questões financeiras como ter crédito e rentabilidade maiores e reduzir as taxas bancárias a uma conta. Para esses argumentos eu digo: rentabilidade vale mais a pena fora de bancos e o resto não paga as dores de cabeça que a conta conjunta traz. (E, assim, não quero ser quem traz as más notícias, mas tipo, mais da metade dos casamentos acaba em divórcio? E como será que o cara vai lidar com o que ficou na conta? E você confiaria nele se não estivesse apaixonada? Apenas questões…) Mas, se mesmo assim, vocês decidirem unir as contas, a dica é: a conta deve servir apenas pros gastos em conjunto. Ou seja: todo mês vocês dois depositam suas parcelas ali e manejam o dinheiro de acordo.

Tá e se alguém ganha mais o que eu faço não consigo pagar 50% e agora
Essa ideia de cada um pagar 50% das despesas só não é pior do que ser esnobado pelo seu gato. Essa conta não deve tomar as despesas como a principal métrica, e sim os salários individuais. Ou seja, os gastos têm que ser divididos em proporção: se uma das pessoas ganha 10 mil e a outra 4 mil, podemos repensar a ideia de 50%. E vvez de dividir o aluguel em 50%, dividimos as contribuições em 50%. Tá, você é de humanas e não entendeu? Vamos lá:

Vamos chamar a pessoa que ganha 10 mil de XX e a pessoa que ganha 4 mil de XY. Então 50% do salário de XX é 5 mil, enquanto 50% do salário de XY é 2 mil. Logo, se cada um contribuir com 50% do salário, o casal terá 7 mil para gastos conjugais de forma justa para as diferentes situações financeiras.

Tá, Clarissa, mas com 50% a conta fica fácil. E se for 44,87%? Aí a ideia é ir pra regrinha de 3:

Cálculo XX:10.000 = 100%
x = 44,87%
x = 4.487

Cálculo XY:4.000 = 100%
x = 44,87%
x = 1.794,8

E assim o casal teria R$6.281,80 reais para gastos conjugais.

A noção de gasto por proporcionalidade talvez seja o ponto mais relevante a ser acordado para que haja uma equidade nas relações financeiras de um relacionamento. Então bora pegar papel, caneta, tesoura sem ponta, digo, calculadora, e combinar tudo.

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