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Sobre identidade de gênero no esporte


Nas sociedades ocidentais historicamente o sexo é a determinação do gênero do indivíduo, sendo biologicamente definido. Essa determinação parte do pressuposto de que existem dois sexos, binários e opostos (fêmea/mulher e macho/homem), existindo uma imposição da heterosexualidade como única orientação sexual legítima. A partir desta definição temos o conceito da heteronormatividade.

Muitos movimentos feministas buscam quebrar essa ideia essêncialista de gênero. Não se nasce de um determinado gênero, torna-se um gênero a partir da socialização própria do sexo ao qual o indivíduo é designado a partir da leitura de seu corpo feita ao nascer. O conceito de identidade de gênero é a maneira como o indivíduo define seu gênero para si mesmo independente do seu corpo. O termo transgênero inclui todas as formas de gênero que não se encaixam na relação heteronormativa fêmea/mulher/feminilidade e macho/homem/masculinidade. Transgêneros são indivíduos cuja identidade de gênero ou expressão de gênero difere do esperado socialmente a partir da leitura feita sobre seu corpo ao nascer.

Identidade é a narrativa feita por uma identificação individual a certo grupo, ou a classificação de um grupo sobre uma determinada pessoa. O processo de construção da identidade varia entre diferentes contextos culturais, já que são resultados de uma evolução histórica, de escolhas políticas e econômicas e, sobretudo, de interações contínuas com outras entidades do espaço. As possibilidades de identidade e expressão de gênero são múltiplas, por exemplo a rede social facebook disponibiliza 56 opções de identidade/expressão de gênero e é possível usar até 10 delas no perfil pessoal

No âmbito esportivo as questões relacionadas a identidade de gênero ganham cada vez mais espaço. Em reunião realizada em novembro de 2015, o COI (Comite Olímpico Internacional) permitiu a participação de atletas transgêneros nos Jogos Olímpicos RIO 2016. O primeiro atleta transgênero a ser autorizado a participar dos Jogos Olímpicos foi o americano Chris Mosier, integrante da equipe americana de biatlo. Infelizmente, uma lesão acabou impedindo a sua participação nos Jogos.

Em todo o mundo a busca por visibilidade e luta por direitos é cada vez maior entre os atletas transgêneros. Infelizmente, no Brasil ainda faltam legislações que atuem especificamente neste âmbito. Isabelle Neris, foi a primeira atleta transexual registrada em um time feminino em nosso país, graças a uma decisão inédita da Confederação Brasileira de Vôlei.Logo depois Tifanny Abreu se tornou a primeira atleta transexual a disputar a SuperLiga de Vôlei, sendo ela um símbolo de resistência na luta por direitos e respeito de atletas transgêneros. 

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