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Mulheres no esporte: quantas notícias você viu por aí hoje?


mensagem final dos artigos da Obvious

Historicamente o esporte foi um universo negado para nós mulheres. Culturalmente, se tornou um espaço para o enaltecimento de características tidas como masculinas como a força, velocidade e potência. Fatores esses que foram determinantes para a construção de um ideal de exclusão e cerceamento de acesso às práticas esportivas para nós mulheres. Por muito tempo acreditou-se que o corpo feminino era incapaz de se movimentar e gerar força, potência e velocidade. Por muito tempo acreditou-se que a principal função do corpo feminino era a maternidade. Associado a todo esse contexto soma-se o preconceito e as desigualdades vividas por nós mulheres nas mais diferentes esferas da nossa sociedade e que refletem diretamente na participação, inclusão e visibilidade dada ao esporte feminino de maneira geral. 

Falando em visibilidade: Quantas notícias sobre mulheres no esporte você teve acesso ou conhecimento nos últimos dias? Quantas atletas você conhece a história ou segue nas redes sociais? Quais são as atletas que te inspiram? Quando analisamos a visibilidade dada ao esporte feminino na mídia, dados da Revista Gênero e Número mostram que ao longo de 24 horas de programação esportiva na tv brasileira, apenas 12% desse tempo (2 horas e 55 minutos ) é dedicado a atletas mulheres. Além disso, dados sobre mídia impressa mostram que das 18 mil notícias esportivas de publicações oriundas de 23 países diferentes, inclusive o Brasil e que foram avaliadas pelo Monitoramento Global de Mídia, apenas 9% eram sobre atletas e modalidades femininas. A partir desses dados é possível termos um panorama da baixa visibilidade e principalmente da falta de oportunidade que o esporte feminino ainda possui em diferentes mídias.

Modalidades como o futebol e o vôlei dentro desse contexto ainda saem na frente, pois grandes portais nas redes sociais e na web possuem espaços dedicados para a divulgação de notícias, jogos e atletas dessas modalidades. Além disso, partidas dessas modalidades já são transmitidas quase que semanalmente na tv, aproximando ainda mais o público. Porém, quando se tenta achar informações sobre outras modalidades como o basquete, handball, ginástica, natação o acesso se torna limitado muitas vezes a nichos de notícias presentes no universo do instagram e facebook em contas que se propõem a dar visibilidade e informar. 

Anteriormente foi citada a palavra oportunidade e ela com certeza é uma das chaves para o crescimento da visibilidade do esporte feminino em nossa sociedade. Um grande exemplo é a audiência da final da Copa do Mundo de Futebol Feminino realizada na França em 2019. Dados da FIFA, mostram que 993 milhões de pessoas assistiram ao mundial pela tv, um aumento de 30% em relação a edição de 2015, realizada no Canadá. A final entre Estados Unidos e Holanda foi vista por 82,2 milhões de pessoas, um total de 56,6% a mais do que na edição anterior. Nesse contexto, foi no Brasil o registro da maior audiência da final da Copa do Mundo, isso porque nossa seleção brasileira nem estava presente na final.

Em resumo, esses dados nos mostram que sim, o esporte feminino desperta o interesse das pessoas e pode atrair grandes audiências e gerar engajamento, só que para isso acontecer é preciso democratizar, ofertar o acesso e dar espaço para que exista o consumo em diferentes plataformas. Se você puder, fortaleça o esporte feminino dentro das suas redes sociais. Procure conhecer a história de diferentes atletas ou assista a sua modalidade preferida quando estiver passando na tv. São pequenos gestos que nos unem a um objetivo maior que é: dar visibilidade ao esporte feminino para que sua representatividade aumente e seja maior em nossa sociedade. 

 

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