No começo do novo milênio, a autora Jennifer Egan previu o TikTok. Tá, talvez não o TikTok, mas os stories. Essa versão de reality show em que nós mesmos somos estrela, câmera, roteirista.

 

Eu li Jennifer Egan pela primeira vez em 2012, eu tinha 20 anos e queria parecer intelectual na federal de comunicação em que tinha recém entrado. Pulitzer, ela ganhou o Pulitzer, eu dizia depois de ler o selo na capa e digitar “o premio pulitzer eh importante” no Google.

 

Confesso que nunca tive as melhores credenciais de leitora/escritora, modéstia à parte. Até gosto de cultivar essa imagem, uso frases como “Ulysses, que Ulysses, daquele filme Troia?” e me divirto internamente. Minha mãe chama isso de terrorismo psicológico. Eu chamo de bom humor. Felizmente compenso a falta de formação com um bom olhar literário e, mesmo sem conhecer prêmios do mercado, “A visita cruel do tempo” (Intrínseca, 2012), de Egan, foi arrebatador. Os pulos cronológicos, as mudanças de narradores e vozes, as referências culturais e musicais - e um capítulo inteiro em PowerPoint! E eu falei que ela foi modelo na adolescência? 

CONTATO

SHOP

CHAPADINHAS

ASSINE JÁ

PODCASTS

INSTAGRAM