OBVIOUS

Sendo a protagonista da minha vida, com Thai de Melo Brufem


mensagem final dos artigos da Obvious

Marcela Ceribelli: No livro “Indomável” da Glennon Doyle, em um trecho, ela conta sobre o dia em que seu filho e sua filha estavam recebendo amigos em casa. Na sala, estava o grupo de meninos e no quarto, o grupo de meninas. Ela vai aos dois cômodos e faz a mesma pergunta: “Alguém está com fome?!?” e os meninos, rapidamente, respondem sem nem tirar os olhos da televisão, um sonoro SIM! Já as meninas, ficam em silêncio, se entreolham para descobrir a resposta, pesquisam suas necessidades, pedem permissão para os seus desejos nos olhares externos. Até que uma delas, aparentemente a líder, decide que não, não estão com fome. Os meninos, sabem o que querem olhando para dentro. As meninas, olham para fora. Porque quando somos ensinadas que precisamos agradar, esquecemos quem somos. Mas nessa vida, se você não tomar as decisões, alguém vai fazer por você. O que acontece quando uma vida toma rumos por decisões alheias? Qual a sensação de tomar as rédeas dessa tão breve vida? Bom dia, Obvious. Eu sou Marcela Ceribelli, CEO e diretoria criativa da Obvious e hoje converso com a querida influenciadora, Thai de Melo, sobre o que acontece quando somos protagonistas das nossas vidas.

Marcela Ceribelli: Bom dia, Thai.

Thai de Melo: Bom dia, Marcela. Já vou responder logo de cara, a partir do momento em que a pessoa virou a protagonista da sua vida, é sucesso, não tem outro caminho.

Marcela Ceribelli: Eu tenho certeza absoluta, acho que uma das piores sensações é acharmos que estamos virando coadjuvante da vida.

Thai de Melo: Totalmente. Quando você me falou que esse seria o tema, eu pensei que é o filme da minha vida. Eu sou de Roraima, que é um estado quente, as pessoas são calorosas e eu vim morar em Curitiba muito cedo, então eu passei uma vida tentando sempre ser aceita, dentro de Roraima eu queria ser aceita e por isso eu era coadjuvante. Eu tenho 1.80m de altura, sempre fui fora do padrão e para me encaixar eu fui sendo coadjuvante. Percebi que quanto mais eu fazia o que tinha sentido para mim, mais as coisas aconteciam de forma orgânica e com sucesso. E o sucesso não é público, é fazer o que faz sentido para você, entender que o que o outro espera pertence a ele e não a você.

Marcela Ceribelli: Eu acho incrível você trazer a questão de fazer sentido. A Rosa Montero fala sobre isso no livro “A ridícula ideia de nunca mais te ver”, que muito da vida que levamos tem a ver com a narrativa que contamos para nós mesmas. Por exemplo, tem um estudo que mostra que pessoas que perderam parceiros, são viúvos, são mais felizes que pessoas divorciadas. O que acontece no divórcio é que você fica revivendo essa narrativa, ela nunca acaba, olha que coisa terrível, mas é bem do humor meio sombrio da Rosa Montero, às vezes é melhor que a pessoa morra, porque aquilo se resolve. Mas na verdade, acho que muito dessa frustração do fazer sentido é porque tentamos contar essa história que tem que fazer sentido para as pessoas ao nosso redor, que é “essa vida faz sentido para o meu grupo de amigas? Para a minha família?” e na verdade, talvez o segredo que você está falando é que você desistiu de contar uma história sobre a sua vida que fosse fazer sentido para todo mundo.

Thai de Melo: Exatamente. A vida que você quer viver faz sentido e temos que ter muito cuidado, se escolher e escolher essas decisões é um trabalho diário. As pessoas vão soltando as expectativas delas em você e se você não está muito atento, não percebe o quanto aquilo vai te interferir. Por exemplo, eu coloquei um papel de parede de onça e antes a minha casa era completamente clássica, hoje eu olho e não me reconheço no passado e são mudanças físicas entre o que você era e o que você é. Mas nesse processo de mudança, eu decidi fazer o hall inteiro da minha casa de onça, até que um familiar falou “só falta um pole dance aqui” e você começa a perceber que as pessoas se incomodam com coisas que não deveriam, a casa não é dela, é sua. Só que a Thai de antes ia ficar triste, questionar a escolha da onça e toda vez que eu falo sobre as suas próprias escolhas no meu Instagram, eu penso em quantas Thais existem por aí, que não são protagonistas porque estão preocupadas com a opinião dos outros, mas o que eles pensam é referente a eles. Eu vou deixar de ter uma estampa de onça na minha parede porque alguém falou que só falta um pole dance? E seu eu quiser ter um? A sociedade quer que você se encaixe e por mais que você se encaixe, nunca é suficiente. Eu tive anorexia, distúrbio de imagem a vida inteira, tinha 1,80m, 50kg, malhada, eu era a pessoa mais feliz do mundo e para as pessoas não estava bom e já que nada estava bom, comecei a fazer as minhas próprias escolhas. Por exemplo, eu não trabalhava, tive filho com 23 anos e as pessoas começaram a falar que eu dei golpe e que a mulher é sempre a culpada da gravidez. Tenho dois filhos, MarceLorenzo, não me pergunte quem é o mais velho e quem é o mais novo.

Marcela Ceribelli: Eu ria com esses seus stories, você falando “parem de me perguntar quem é, eu também não sei”.

Thai de Melo: E tem gente falando “mas é o Lorenzo”, é? Por que você acha isso? Enfim, sai do cheque do pai para o cheque do marido e nunca era a protagonista, quando você não tem a sua independência financeira você não vai ser protagonista, ela te dá outras liberdades. O “sim” final não é seu, é uma liberdade fantasiosa, então eu sempre que tinha que prestar contas para alguém. Com 28 anos eu decidi começar a trabalhar, estava cansada de não ser protagonista da minha vida financeira. Quando eu cheguei no meu primeiro emprego as pessoas que trabalhavam lá falaram “Thai, tem um bolão de quanto tempo você vai aguentar trabalhar em shopping” e eu falei “então já coloca meu nome aí, porque eu também não sei”.

Marcela Ceribelli: Nossa, ouvir isso no início de um trabalho…

Thai de Melo: E eu nunca tinha trabalhado. Eu me achava incapaz, as pessoas me achavam incapaz. Fiquei lá por seis meses, fui promovida à gerente de uma outra empresa a partir do momento que eu escolhi ser protagonista. Ano passado, o WGSN me postou e estudaram o meu caso, eu me emocionei muito porque na hora que me mandaram, eu estava no mesmo sofá em que eu tomei a decisão de sair da minha casa e entregar currículo, foi emocionante porque ali foi a minha primeira decisão de protagonista. Eu decidi ir e não pedir ajuda para ninguém, peguei o meu currículo e entreguei nas lojas do shopping. E depois disso você vai assumindo outros protagonismos, a vida tem vários. Na maternidade você assume também, o meu Instagram começou com isso, a maternidade para mim sempre foi muito difícil, eu não vim com o chip de mãe, sempre me esforcei, amo os meus filhos, mas eu faço propaganda para repensarem em ter filhos, é um ser humano do 0, já vem com uma persona que você não sabe como vai ser, eu acho muito complicado. Então ali foi um outro protagonismo, fazer as piadas em relação à maternidade, por exemplo, o Lorenzo meu filho mais novo, me chamou à noite para fazer a tarefa de casa e falou “mãe, lê aqui” e estava escrito para pegar um álbum de foto de quando ele era pequeno e eu falei para ele escrever “sou o segundo filho, não tenho álbum”. Eu já fazia isso com eles e comecei a filmar esses questionamentos, porque antes eu ficava muito triste, eu me martirizava por não ter feito o álbum dele e eu vi que nunca seria essa mãe. Nesse protagonismo da maternidade foi a mesma coisa, eu pensei o que as pessoas esperam de mim e vi que eu não sou a mãe que ama grupo de mãe, eu odeio.

Marcela Ceribelli: A Glennon Doyle fala que o momento que ela decidiu sair do casamento dela foi quando ela estava se arrumando, antes ela não saia para proteger as filhas, e a filha dela falou “eu quero usar o meu cabelo igual o seu, você pode fazer?”, e ela percebeu que quando a filha dela olhava para ela, estava se fazendo perguntas “isso é o cabelo de uma mulher? É assim que uma mulher tem que agir?” e que ela pensou que quando a filha dela a vê em um casamento infeliz, ela está ensinando à filha que é assim que uma mulher tem que ser amada. Ao mesmo tempo que ela estava protegendo o casamento dela, ela talvez estivesse destruindo a ideia do que o amor ia ser para a filha dela. E fazemos isso para as pessoas ao nosso redor, uma vez que uma amiga no grupo está em um relacionamento que ela é muito permissiva e as amigas veem aquilo, fica um exemplo. Você já percebeu que as pessoas se unem para contar miséria? “Eu sou muito infeliz no trabalho” e quando uma começa a ser feliz, as outras pensam que se ela teve coragem de sair do trabalho, elas também podem. Não nos libertamos sozinhas, libertamos todos ao nosso redor.

Thai de Melo: É por isso que no Instagram, eu faço questão de sempre contar as coisas que deram certo, eu não vou deixar de contar uma coisa de deu certo, uma vida que eu mude já valeu a pena. Eu tenho um prazer inarrável de passar o meu cartão de crédito, de pagar a minha fatura, gosto de pagar as pessoas e quando você é influencer, a galera quer te dar as coisas, mas eu quero pagar o trabalho delas. E um dia, eu paguei alguma coisa e fui falar nos stories sobre esse meu prazer de passar cartão e discorrendo sobre o quanto a liberdade financeira é importante e eu recebi uma chuva de mulheres falando que elas nunca tinham se dado conta, porque a sociedade vai te levando. Tem pessoas que estão tão desconectadas com outras possibilidades de vida, que as vezes um story ajuda. Muitas mulheres me falaram que estavam em um casamento que não queriam, estavam em um emprego que não queriam, por causa de dinheiro. E ali eu percebi que ia deixar de falar aquilo por algum motivo e não ia influenciar elas a se libertarem. Acho que quando você é protagonista, você fica mais em evidência e vai chamar mais atenção, mas ser protagonista é difícil.

Marcela Ceribelli: Thai, deixa eu voltar em uma coisa que você falou, acho que é uma certa provocação, é muito importante ter influência e referência, mas o Instagram virou uma vitrine de opções de vidas que podemos usar como referência. Mas quando vocês veem a minha vida, vocês não sabem de 10% e da Thai também, é claro que eu quero me inspirar no melhor lugar. Quando você teve essa decisão de trabalhar como influenciadora, as referências do que era ser influenciadora eram muito diferentes do que você se tornou, para mim você quebrou um certo paradigma do que era a produção de conteúdo. E eu queria saber se em algum momento você se questionou se estava fazendo direito? Porque até agora a influência era uma outra coisa. Você acha que tem referência que ajuda, mas também atrapalha? Como foi isso para você?

Thai de Melo: Eu faço ioga há 8 anos e aprendi que quando você olha para o asana (postura) do outro, você cai do seu. Então eu sou uma pessoa muito focada no meu centro. A minha felicidade é fazer o que me faz sentido, se isso virou referência, não foi um objetivo. Acho que as pessoas ficam tão focadas no produto final que elas não conseguem chegar lá, elas não são quem elas são, elas são essas fórmulas e as fórmulas te levam para um lugar que já existe. E todos nós somos autênticos por natureza, acho que esquecemos e as pessoas querem isso, porque elas querem que a gente seja o que elas esperam e vamos fazendo para sermos aceitos e amados. Temos que entender que nunca seremos amados por todos, o maior amor é o que temos por nós mesmas e só conseguimos ele através do que fazemos para nós e que faz sentido. E isso é cumprir o nosso papel no mundo, se todos fizéssemos o nosso papel, o mundo estaria perfeito, mas estamos olhando para o asana do outro e caímos do nosso. E tem uma outra questão, o que é o sucesso? Para as pessoas o sucesso é vinculado à números.

Marcela Ceribelli: Eu fico com muito tesão quando vejo gente que está de fato vivendo vidas que paramos para pensar e é uma possibilidade. Quando eu estava no Atacama, conheci um casal que só adota cachorrinhos que não têm duas pernas e eles trabalham durante um tempo como guia e o resto do ano eles viajam e isso é uma opção de vida, eles voltam e fazem dinheiro suficiente para viajar. Constantemente, estamos falando “quando tivemos x de dinheiro eu vou conseguir fazer isso”, mas na verdade a vida é agora. Tem um exercício que eu acho maravilhoso, para você saber se está vivendo a vida que você queria, você tem que se perguntar se desejaria para quem você ama, por exemplo, você desejaria esse relacionamento para a sua melhor amiga? Você desejaria esse trabalho para o seu irmão? Se a resposta for não, por que você está aceitando para você? Às vezes a gente aceita muito pouco e que se alguém que você ama aceitasse, você ia falar para pular fora, ser feliz. E é aquela história, se você não está vivendo uma vida que é sua, você vai viver uma vida que os outros querem para você.

Thai de Melo: E os outros estão vivendo uma vida que nem querem, por isso eles estão tomando conta da sua, porque se eles estivessem vivendo a vida que eles querem, eles estariam felizes sem se preocupar com a vida de ninguém. A filha do Dráuzio Varela tinha um programa, ela falava que ser mãe não é destino e ela tinha filhos, não precisamos ser mães para sermos completas. E isso é um tópico que eu vou me dedicar mais, tem muitas mulheres que fazem essas escolhas e não são respeitadas e eu as acho incrivelmente sensatas. Quando você para e pensa, não tem como ter filho no mundo de hoje, é muito difícil, sobre a sociedade, sobre você e eu estou em treinamento, tentando melhorar, agora tenho que dar conta de dois seres humanos, é uma malha difícil. E as pessoas romantizam muito, ninguém fala sobre o não maternar. E eu falei para o meu agente, que eu queria fazer uma publi de um teste de gravidez, mostrando todas as vezes que eu fiz e deu negativo, foi um alívio. Por que nas propagandas de teste de gravidez os resultados são positivos e as pessoas estão felizes? Quantas vezes eu fiquei feliz de ver o meu teste negativo, eu não quero mais ter filhos, eu tenho o DIU, mas pode acontecer e aquilo não seria uma notícia muito boa, você ia ficar triste. A sociedade vai te atacando, “você só vai se feliz se o teste der positivo” e não.

Marcela Ceribelli: Eu nunca fiz um teste de gravidez, nem sei qual é a sensação.

Thai de Melo: Eu fazia vários, sempre achava que estava grávida.

Marcela Ceribelli: Eu nunca fiz, mas a minha menstruação nunca atrasou e eu sempre me cuidei muito, porque é uma das poucas certezas que eu tenho, agora eu não quero ter filhos, não sei se vou querer eventualmente. Para mim, isso tem a ver com um paradigma que debatemos na reunião de pauta do episódio, por que existe essa dicotomia da mulher heroína, que tem coragem para ir, fazer e acontecer e ao mesmo tempo existe o lugar da fraqueza, quando você desiste de algo? Mas para você ter coragem de fazer, talvez você precise desistir, só que antes você tem que sofrer e pensar “eu não vou ser fraca, consigo aguentar esse relacionamento mais um pouco. Eu vou dar um jeito nesse trabalho”. Temos que normalizar a desistência, a romantização da perseverança não pode coexistir com a romantização da coragem. Inclusive, a Margot Cardoso fala na “Vida simples”, “desistir não é uma opção, diz o manual de autoajuda. O show tem que continuar, diz a cultura. E se não der certo? tudo dá certo no fim, se não deu ainda é porque o fim ainda não chegou. E se eu realmente fracassar? É porque não se empenhou o suficiente.” Olha o limbo que colocam a gente, eu tenho certeza que você teve que se demitir de algum emprego para chegar onde você está hoje e sempre tem uma vozinha de “será que eu estou fracassando?”

Thai de Melo: A única coisa que eu não quero desistir é de mim. Porque se eu não estou feliz e bem, ninguém a minha volta vai estar e não é egoísmo, se eu não estou, os meus filhos não estão. Eu trabalho durante e semana em São Paulo e volto para Curitiba aos finais de semana, e os meus filhos ficam tristes, mas ali eu estou ensinando para eles que eu sou uma mulher que faço as minhas escolhas, sou muito feliz com elas e quando estou com eles eu sou muito feliz. Se eu estivesse em casa sete dias por semana e não desenvolvesse o meu trabalho, que me faz feliz, eu seria uma mãe e mulher infeliz e eles teriam uma outra imagem. Então eu não posso desistir de mim, eu vim no mundo sozinha e vou embora sozinha, tenho que dar conta de mim. Eu tinha pânico de avião e comecei a perceber que o medo que eu tinha é porque eu não era uma pessoa realizada, eu canalizei, tinha alguma pendência. E como aceitei o trabalho em São Paulo, eu pego no mínimo, dois voos por semana e hoje quando eu entro no avião, tenho a certeza que fui protagonista das minhas escolhas. É muito importante você ter a sua casa e saber que aquilo te representa, é importante você fazer as suas escolhas sobre tudo, olhar para o seu emprego e falar “eu estou aqui porque eu escolhi, eu quero”, é não deixar que o outro escolha por você. As pessoas têm medo da mudança, eu vejo isso pelo marketing, mas alguém tem que ter a coragem de fazer o que não está sendo feito e até provar que dá certo, leva tempo e você tem que estar muito focado no que quer e ter coragem de falar não para o dinheiro.

Marcela Ceribelli: É muito difícil, mas eu acho que é uma conquista de um processo de carreira. Eu sempre falo que a meta é essa, conseguir começar a falar os bons “nãos”, no início da carreira é difícil, mas lembra que você está mirando nos “nãos”. No final das contas, vamos precisar entender que o “sim” que falamos determina quem somos e para onde vamos. Tenho refletido um pouco, qual foi o “sim”, o que eu abaixei a cabeça e me trouxe até aqui? E outra coisa, acho que nunca ouvimos tanto sobre morte como no último ano, eu nunca tive tanta consciência de que eu estou viva, mas no momento que você percebe o privilégio que é estar viva, eu comecei a me questionar o que eu estou fazendo com essa vida. Viver é fazer doze calls por dia? O que eu posso fazer para me sentir mais viva, aproveitar. Eu queria saber de você, Thai, o que você faz para se sentir viva?

Thai de Melo: Essa questão do sentir vivo, tem muito a ver com o que eu já vivi do avião, eu jurava que ia morrer toda semana, tenho carta testamento, me despedia dos meus filhos. Acho que a morte é uma coisa que precisa ser falada, porque vamos morrer, é um absurdo vivermos achando que não vamos morrer e quando eu passei a entender que eu ia morrer, entendi que a minha vontade de viver é muito mais importante do que o meu medo de morrer, então eu continuei vivendo. Tudo fica mais intenso quando percebemos que isso vai acabar em algum momento. Ontem eu assisti aquele filme da Disney “Soul” e ele fala sobre isso, ele fica tão aficionado para entender a missão dele e começa a perceber que só de estar vivo, comer pizza, ouvir música, aquilo já é a vida, não precisamos de uma missão.

Marcela Ceribelli: E no livro “indomável” da Glennon Doyle, ela fala que quando começamos a colocar metas na nossa vida, rapidamente a nossa cabeça começa a colocar empecilhos, é um pouco de como ela funciona. Então ela fala que temos que olhar para as nossas vidas com mais criatividade e trazendo imaginação, pegar um papel e escrever o que você imagina que é sucesso, como é um relacionamento feliz e depois você lê esse papel para você mesma e pergunte “eu estou vivendo a vida que eu imagino?”. Talvez isso seja assumir o protagonismo. A provocação do livro é, quem você era antes da sociedade falar quem você deveria ser e pensar, o que faria a Thai criança feliz?

Thai de Melo: Isso é muito lindo, eu tenho plena certeza que já viemos sabendo que temos que ser a nossa persona, só que estamos em um sistema que vai nos restringindo. A criatividade ficou suspensa muito tempo da minha vida, quando você quer agradar alguém, não tem como ser criativo e a minha mãe me lembrou que quando eu era pequena, todos os trabalhos de escola que as pessoas faziam em cartolina, eu fazia em teatro, gravava em VHS e fui me perdendo. O que ela fala tem muito sentido, sabemos o que viemos ser quando somos crianças e é muito importante que o adulto que nos tornamos faça essa criança feliz. Então se hoje eu sou um adulto tímido, mas eu era uma criança expansiva, o que me tornou tímido?

Marcela Ceribelli: Thai, obrigada por essa troca incrível. Eu te admiro muito, quando eu te conheci você estava no início dessa jornada e eu fico muito feliz, me dá orgulho, de ter te acompanhado. Mas para finalizarmos, qual é o conselho final para quem está se sentindo como você se sentiu quando viu que alguma coisa tinha que mudar?

Thai de Melo: Eu sempre falo que o primeiro passo é o mais importante, porque através dele nós temos todos os outros. Coragem para dar o primeiro passo, entender que você nunca vai agradar as pessoas que você acha que vai agradar, então agrade a você mesmo que é certeza de felicidade. Dizer “sim” para si e ter coragem de dar o primeiro passo, porque depois os outros ficam muito mais fáceis.

Marcela Ceribelli: Thai, muito obrigada.

Thai de Melo: Obrigada, você. Já falei isso para a Marcela, ela me inspirou muito a querer ser quem eu sou, então para mim é muito importante e grande estar aqui hoje, é aquele recado que os sonhos se realizam, para mim é uma honra.

Marcela Ceribelli: Eu fico até emocionada, obrigada e volta sempre.

Muito obrigada a você também, que nos escutou até aqui, mas a nossa conversa não tem fim. Continuamos semanalmente na nossa Newsletter que você pode se inscrever no www.obvious.cc , no Instagram @ObviousAgency e com comentários e sugestões sempre com carinho no [email protected] . Bom dia, Obvious.

Clique na imagem para escutar o episódio <3

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *