OBVIOUS

eu procrastino, você procrastina, nós… estamos inseguras.


mensagem final dos artigos da Obvious

Repita “procrastinação” 10x e perceba como ela talvez seja uma das palavras mais feias do nosso vocabulário. Você também gosta de algumas palavras mais que as outras? Eu amo “picolé”, “agora”, “coragem”, “bambolê” e “oceano”. Eu também gosto muito de pensar em palavras bonitas e palavras feias quando eu estou enrolando para escrever uma newsletter.

Eita. Ok. Vamos lá. Por que trazer uma psicóloga para falar de algo que é basicamente sobre organização de rotina? Eu amo quem é impaciente igual a mim e já quer questionar a essência do episódio, então te respondo logo no segundo parágrafo caso você já queira dar esse play (link pro episódio) e ir pro próximo email. Convidei a Catherine Rosas para falar sobre esse assunto porque a procrastinação diz muito mais sobre o nosso gerenciamento de emoções do que sobre organização de rotina (sorry, coaches).

A preguiça também existe, mas é diferente. Diferenciar é relativamente fácil: quem procrastina acaba fazendo diversas outras coisas no lugar daquilo que deveria fazer. Na preguiça, não queremos fazer nada. Na procrastinação, fazemos algo que nos dá prazeres mais momentâneos e nos distraem daquilo que realmente deveríamos fazer. O motivo pelo qual tantas de nós sentimos que estamos procrastinando tem relação com como nos tornamos um tanto hedonistas com as microdoses de dopamina a uma tela de distância. Só que se você já esteve lá, sabe do que eu estou falando: pegar o celular “rapidinho” antes de começar uma tarefa importante é um convite ao limbo dos memes, familia, notícia, insegurança, hahaha, comparação, socorro QUANTAS HORAS EU PASSEI AQUI?

Se você listar as atividades que faz com facilidade versus aquelas que você vai postergando para um segundo momento, pode iniciar uma investigação forte sobre aquilo que te serve como gatilho para insegurança. Um estudo feito pelo Departamento de Psicologia da Universidade de Carleton, no Canadá, mostrou que existem ligações diretas entre a procrastinação e emoções negativas, como frustração, medo e ressentimento.

Se você ouviu os últimos episódios, sabe que eu estou fazendo O Caminho do Artista, da Julia Cameron. E se você está minimamente familiarizada com o processo, sabe que eu tenho escrito diariamente três páginas à mão em um caderno e feito os exercícios semanais. O da semana #1 foi sobre desbloqueio criativo, que tem tudo a ver com com o que estamos falando aqui. Ela sugere que você enfrente esses monstros que vivem na sua cabeça listando três pessoas que prejudicaram sua autoestima criativa (lembrando que todos somos criativos, independente da profissão, hein!) e escrever em detalhe a situação em que cada um deles nos feriram. É surpreendente 1 – como não lembro o que comi ontem mas lembrei o cheiro de uma festa em 2012; 2 – o poder de escrever e exorcizar isso da gente. Eu recomendo muito a leitura e adoraria te ter como companhia na jornada, mas se quiser só fazer esse tira-gosto do processo, seja muito bem-vinda.

Eu sou 100% do clube das que pensam demais e o meu perfeccionismo é tudo menos charmoso. Uma vez minha mãe foi em uma taróloga que disse que é louvável o quanto eu não olho pro lado mas é um tanto perigoso querer ser apenas o melhor que eu posso ser, não a melhor de todas. Quando você se compara, você tem uma meta. Quando você quer ser apenas a melhor que pode ser, qual o limite? Estou dividindo isso porque sei que as perfeccionistas são grandes procrastinadoras, e a vida é assim mesmo, cheia de incoerências de mal gosto pra tratarmos em terapia. Mas também porque quero que, juntas, a gente aprenda também a diferenciar procrastinação de descanso.

“Não deixe pra amanhã o que pode fazer hoje” – meu cú 🙂 As vezes você apenas precisa descansar, minha exaustinha.

Então vamos lá? Tudo isso tem a ver também com estarmos mais atentas a nós mesmas, o que vale um outro podcast. Ou não? Me conta?

Beijos e boa semana, obvious.

6 thoughts on “eu procrastino, você procrastina, nós… estamos inseguras.

  1. Jessica says:

    Caramba… falei hoje mesmo sobre procrastinação com minha terapeuta. No meu caso, sinto que é mais por falta de um propósito maior pra me incentivar a fazer aquilo que tô postergando tem semanas. Já ouvi dizer que procrastinação também é uma auto sabotagem, mas o que você está sabotando se não sabe pra onde quer ir?

  2. Juliana says:

    Eu levei esse assunto pra terapia depois do podcast e consegui entender muitas coisas a partir dele. Umas semanas atrás tinha um teste técnico para responder de uma vaga que queria muito, mas não tinha experiência na área ainda, procrastinei muito pra começar o teste, que depois fui entender que era fruto desse medo do fracasso. No fim, fui bem no teste e passei pra fase de entrevista, mas era como se não conseguisse acreditar (mix com a sindrome da impostora), a gestora falando que eu tinha ido bem no teste e eu quase duvidando dela! Porque não conseguimos admitir que somos fodas e capazes? Não consegui a vaga, mas consegui entender tudo isso, meus medos, inseguranças, olhar pra eles nos olhos e seguir. Obrigada obvious

  3. Aline says:

    Acho que essa dica de botar no papel aquilo ou aqueles que nos foram uma pedra no sapato vai ser de ouro. Comportamento de procrastinação é a minha rotina, chega até ser reconfortantes saber que não sou a única

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