OBVIOUS

Um pacto com o agora, com Helena Galante


mensagem final dos artigos da Obvious

Marcela Ceribelli: Oi! Tudo bem? Enfim chegamos no último episódio de 2020, nossa abertura vai ser um pouco diferente porque o tema do episódio de hoje é também uma chamada. Uma chamada para você se conectar com o momento presente. Não, eu ainda não virei locutora de meditação guiada, mas em um ano em que tivemos que rever todos os nossos planos, o que podemos levar para 2021, é que se preocupar com o futuro ou o passado, muitas vezes nos impede de viver o agora, só que é no agora que a vida acontece. Também queremos te agradecer, 2020 não foi nada fácil, mas esperamos que o programa tenha trazido momentos de alegria e reflexão para você. Bom dia, Obvious. Eu sou Marcela Ceribelli, CEO e diretoria criativa da Obvious e hoje, quero que você procure uma posição confortável e um ambiente que te traga paz, para ouvir a doce e brilhante jornalista e podcaster do “Jornada da calma”, Helena Galante. Um feliz ano novo para você.

Marcela Ceribelli: Helena, seja muito bem-vinda, finalmente consegui te trazer aqui. Como você está hoje?

Helena Galante: Que alegria, Marcela. Estou muito feliz de estar aqui, gostei muito de te entrevistar, mas ser entrevistada por você é diferente, estou emocionada.

Marcela Ceribelli: Você pode se apresentar para quem ainda não te conhece?

Helena Galante: Eu sou jornalista, editora da Veja SP, colunista da rádio BCN, mas me apresento sempre com o meu trabalho de coração que é o “Jornada da calma”, sou criadora desse podcast que conversa sobre como podemos ficar mais serenos nesse mundo louco em que vivemos.

Marcela Ceribelli: Eu fiquei me questionando, o que é uma jornada da calma? O que compõe ela?

Helena Galante: A jornada é um caminho que podemos traçar, não um passo mágico ou uma receita que vamos seguir que vai resolver tudo. Eu gosto de pensar como se fosse uma viagem, eu vou para uma direção, mas não sei o que pode acontecer até eu chegar no destino e a calma é um norte. Ela é um jeito de falarmos de felicidade, estabilidade, abrir mão do controle, lidar com as expectativas, para mim a calma é uma emoção que agrega tudo isso. O mais curioso é que quando eu comecei, não sabia para onde ia e muitos convidados se surpreenderam com o convite por não serem pessoas calmas, mas não é sobre ter um tom de voz específico, agir de um jeito específico, mas sim a sua maneira de levar a vida. Eu senti que o que mais faz sentido para mim é a conversa como um ponto de calma e é uma jornada que às vezes evitamos, estamos com tanta pressa que não escutamos os outros.

Marcela Ceribelli: Quando eu participei do “Jornada da calma”, eu compartilhei que acredito que quantos mais rígidos somos com a vida, menos felizes vamos ser e cada dia eu tenho mais certeza disso. Para você, o quanto o nosso ideal de futuro nos prende de ter uma vida um pouco mais plena?

Helena Galante: Você usou a palavra prende e para mim é essa palavra, termos um futuro aprisionado e isso tem a ver com como lidamos com o passado. Pensando em linha do tempo, eu tenho a sensação que ficamos pulando do ontem para o amanhã o tempo inteiro e fazendo do amanhã um espelho do ontem. Acho que é uma postura inconsciente e por não pararmos e pensarmos nas nossas intenções, seja para o hoje ou para amanhã, acabamos repetindo, fica muito cíclico e a sensação que eu tenho é de aprisionamento. E às vezes, quando tentamos sair disso vamos para um outro extremo que é o planejamento, o clássico final de ano, então eu vou montar o meu papel e dizer como vai ser o ano que vem e é uma falácia, não sabemos como vai ser o próximo ano. Precisamos libertar o nosso futuro para que ele seja menos repetitivo que o passado.

Marcela Ceribelli: É perfeito você falar do final do ano, porque esse episódio é o último de 2020. Esse é uma despedida de 2020, que foi o ano em que tivemos que nos desapegar de praticamente toda ideia de futuro, acho que todo mundo teve uma ideia de futuro que aconteceria esse ano, mas que não aconteceu nada. Afinal, vale a pena ou não pensar em metas para 2021? Você acha que é um terreno para uma possível autossabotagem?

Helena Galante: Tudo depende de como fazemos, penso por mim, quando eu falo que não vou ter meta, eu fico estacionada em um lugar e as coisas não acontecem, então alguma coisa eu tenho que me propor a fazer. Acho interessante pensarmos em alguma coisa que tenha um legado duradouro, que perdure no tempo, é importante termos uma meta. Mas no sentido do planejamento, acho que é uma receita para chorar, porque as coisas não acontecem como esperávamos ou quando esperávamos e fica com essa cara de autossabotagem. Temos que achar um caminho do meio, estar aberto para tudo que possa acontecer e propor uma intenção forte, estabelecer uma meta que tenha menos a ver com a produção de algo e mais com as pessoas que vão estar comigo. Por exemplo, eu estava super nervosa para a entrevista hoje e pensei, o que acontece quando conversamos com alguém? Conversamos com a pessoa, então vai lá, se joga. Isso é uma meta, quero me relacionar com as pessoas, ouvir, sem estar com a cabeça cheia de planos, ter uma intenção clara. Uma habilidade que eu tento treinar é de sustentar um espaço que não tem muita certeza, mas também não sucumbir na dúvida e no desespero que às vezes o não saber traz. Você vai fazer a agenda de 2021?

Marcela Ceribelli: Eu não sou uma pessoa de muitas metas, dificilmente quero que alguma coisa aconteça em um determinado momento, mas eu sou uma pessoa de hábitos e o hábito também é um desafio. Eu estava vendo uma matéria que diz que o ideal é escolhermos pequenos esforços que possamos manter por muito tempo, eu vou ter que trabalhar isso em 2021. Acho demais você ter falado que estava nervosa, eu também fico um pouco nevosa pensando se vou saber conduzir com as pessoas tão legais que eu falo, incluindo você, mas eu acho que tem um lugar muito valioso nessas conversas e que valem para outras situações, você não sabe, mas você pode fazer. É um pouco de metas do dia a dia, você falou que eu falo com pessoas legais, mas você fala com pessoas muito legais e de Monja Coen a Cauã Reymond, quais foram os maiores aprendizados que você já teve com eles em relação ao tempo, futuro e o agora?

Helena Galante: É engraçado porque são pessoas de esferas muito diferentes, a Monja Coen tem um caminho espiritual e uma vida prática, ela fala sobre o papel do silêncio no caminho dela, mas não é uma coisa restrita à uma esfera só. Então na hora que eu conversei com o Cauã, o meu público é majoritariamente feminino e ficou surpreso que eu conversei com ele, as pessoas ficam eufóricas, é engraçado.

Marcela Ceribelli: É uma comoção, a Mariana que é casada com ele, escuta o Bom dia, Obvious. Mariana, um beijo, parabéns por tudo.

Helena Galante: É engraçado porque temos uma imagem fixa de uma pessoa, é um ator, global, modelo, temo isso construído, mas na hora em que vamos conversar, as pessoas são muito mais complexas e surpreendentes do que só uma imagem. E o Cauã, por exemplo, estava falando da relação dele com os passarinhos, de acordar e ver os pássaros, colocar fruta para eles e como ele se integra a isso, é um jeito de lidar com o tempo. Eu tenho a impressão que esse caminho mais espiritual que a Monja leva é o caminho de transcendência do tempo, como se você entrasse em uma esfera eterna em que você quer morar ali para sempre. E com o Cauã, ele estava em uma esfera bem cotidiana, tem o ciclo da manhã, do plantar, dos passarinhos, da noite e eu acho que é um jeito de se relacionar. Muitas das pessoas que eu já conversei têm uma relação interessante com o tempo. A Lúcia Helena Galvão, filósofa, fala sobre a dedicação à sabedoria e eu penso, tem tempo mais bem gasto do que quando nos dedicamos a fazer escolhas mais sábias, a nos conhecermos melhor e conhecer melhor as pessoas? Não é uma coisa organizacional, mas é sobre onde vamos colocar a nossa energia. A Nathalia Arcuri me falou isso, achei desafiador por ter que falar de dinheiro, um assunto que as pessoas ficam desesperadas, mas ela deixa bem claro de que podemos ensinar como trabalhamos com isso e se tivermos mais ferramentas, mais conhecimentos, pode ser um pouco mais tranquilo e impactar na qualidade dos relacionamentos que temos e na qualidade do nosso dia a dia, é um jeito de falar de calma. E ela fala que se não cuidarmos do nosso tempo, como vamos cuidar do dinheiro? E pensando em tempo como investimento, ela tem razão. Podcast é maravilhoso, mas às vezes escutamos muitos, temos várias referências e não sabemos o que fazer com tudo aquilo. Então eu tento experimentar, acho que tem a ver com esses pequenos hábitos que você falou, mas tentar uma coisa de cada vez.

Marcela Ceribelli: Eu amo isso que você falou de onde vamos depositar o nosso tempo, acho que um exercício que conseguimos fazer é de pensar em quanto tempo do nosso dia passamos planejando o que vai acontecer amanhã, na semana seguinte, nos próximos anos. E é muito bonito isso que o Cauã trouxe, quanto mais você acompanha o ciclo da natureza, mais você entende a importância do tempo na vida desse planeta, as coisas levam tempo e têm ciclos próprios, você vai plantar a sementinha da planta e aquilo é o tempo natural dela. O que não está normal é a relação que a tecnologia e as redes sociais nos deram sobre tempo, não é normal a velocidade que queremos que as coisas aconteçam, porque não é normal para a natureza. Acho muito bonito a gente entender que se uma plantinha, um bichinho, têm ciclos, por que estamos tentando desrespeitar isso de uma maneira tão violenta com nós mesmos? E talvez para construirmos uma relação melhor com o futuro, precisamos entender o que estamos fazendo todos os dias com esse tempo. Foi um ano muito difícil, fui escancarada com o luto e toda vez que a morte chega perto de nós, ficamos assustados com a finitude das coisas. Acho que é um momento de virada, o futuro é o que eu estou fazendo agora, o que eu estou fazendo para essa vida ser muito boa? E só para eu pegar o último gancho, o que eu mais quero para 2021 é dedicar o meu tempo para as pessoas que eu amo e deixar claro que eu estou aqui, que eu penso nelas, além de um like no Instagram.

Helena Galante: Gostamos das pessoas, mas não dedicamos tempo para contar isso para elas. Acho que esse é um instante que o relógio parece que para de rodar, eu só amo e sou amada e a vida é sobre isso. Muitas vezes eu já me peguei achando que a vida era sobre outras coisas, conquistas, viagens, fazeres e quando você vai para um lugar mais simples, você só quer amar as pessoas e fazer com que elas sejam amadas. Acho que quando nos fortalecemos nesse ponto, conseguimos sentir presente mesmo que não está do nosso lado agora e é uma sensação de conforto. Confundimos presença com imediatismo, que é o ciclo do like, da tecnologia, de tudo estar conectado ao mesmo tempo e achamos que somos uma máquina disponível o tempo inteiro, nessa forma mecanicista de olhar para gente e não é assim. Os ciclos da natureza nos ajudam a lembrar que as coisas têm o seu tempo e no fim acabamos cultivando o futuro. Quando eu vi o documentário do Emicida fiquei pensando, quantas árvores foram plantadas por pessoas que não estão mais aqui, mas eu estou disfrutando da copa dessas árvores. Eu fiz uma entrevista com o autor que escreveu “O bom ancestral” e ele fala sobre como saímos desse mundo presente de um jeito imediatista e que se tivemos essa atitude, não vamos ter um pensamento a longo prazo e vai desde quando vamos cuidar do nosso lixo e da parte ecológica. É como a construção de uma catedral, talvez as pessoas que começaram a construir não chegaram a ver ela pronta, mas ela perdurou. Uma pergunta que você pode se fazer é “será que eu estou sendo um bom ancestral?” e ele tem um pensamento bem tocante, “posso imaginar a minha filha com 90 anos olhando para a janela e eu posso ver o que ela está olhando, posso me relacionar com os netos dela que eu não vou conhecer, mas eu posso imaginar e essa capacidade de imaginação pode fazer com que façamos escolhas melhores.” Eu gostei desse jeito em que ele pensa sobre o futuro.

Marcela Ceribelli: Eu estou muito emocionada, é sobre isso. Acho que ficamos olhando para o futuro de maneira vazia, “eu quero tal meta, tal coisa”, é também uma maneira imediatista, não estamos nos relacionando com o futuro de uma maneira bonita.

Helena Galante: Acho que a gente pode tirar o futuro dessa caixinha e pensar, por exemplo, eu não tenho filhos, mas tenho o meu sobrinho, então será que ele vai ter filhos? Quando ele fizer 90 anos o que ele vai estar pensando? Que mundo ele vai estar vivendo? Um jeito que me ajuda a me conectar é pensar quem veio antes de mim. E recentemente eu fiz uma viagem com o meu sobrinho, ele é pequeno, uma hora se sujou e tivemos que parar para trocar e a minha mãe falou “Helena, você tinha um macacão amarelo que você adorava e sujou em uma viagem” e eu não penso isso, que era pequena, me sujei e precisei que alguém me trocasse e que a minha vó também cuidou da minha mãe. Se formos pensar em escalas maiores, quantas pessoas precisou para estarmos aqui hoje? Eu tive bons ancestrais, alguém me ensinou alguma coisa que me fez chegar até aqui. Não precisamos desse imediatismo.

Marcela Ceribelli: Acho que tem uma questão de estarmos em uma cidade tão veloz como São Paulo, tem uma romantização de que uma vida bem sucedida é muito dinâmica. Eu não sei se você sabe, mas eu tenho um irmão gêmeo que tem uma vida muito diferente, ele mora na França, é do circo, vegano, tem outro ritmo. Estávamos passando por esse mesmo luto de um familiar e eu estava me cobrando, no dia seguinte eu acordei e pensei “é um dia novo, vamos lá, vou fazer as minhas coisas”, mas eu não conseguia e ficava pensando que a minha vida não podia parar porque é o que escutamos. E aí o meu irmão me ligou para conversar e em um dado momento eu falei que não estava conseguindo ser produtiva e ele gargalhou, falou “você estava tentando ser produtiva no meio de um luto? Não é nem natural, você precisa se dar um dia”. E no mesmo ciclo da família, de olhar para quem veio antes da gente, acho que eu nunca humanizei tanto a minha mãe, tem muito material dela em vídeo desde muito jovem porque ela é jornalista e eu vi um vídeo dela com 22 anos fazendo uma reportagem, aquilo mexeu comigo de um jeito, aquela menininha do vídeo é a minha mãe. Quanto dessa menina ainda existe? O que ela precisou passar? Acredito que quanto mais conseguimos enxergar os nossos pais como seres humanos, mais gentis nós somos com eles, o erro começa quando estamos amadurecendo e achamos que os nossos pais são seres intocáveis, mas ao ver fotos dos seus pais quando eles eram crianças, você vai entender que eles são tão criança quanto você. Você já passou por isso?

Helena Galante: Acho que temos que nos acostumar a procurar beleza nas coisas. Temos um mindset de produção, não é essa a medida da vida e sim a beleza e é complicado, mesmo os momentos tristes têm beleza e não é sobre darmos um jeito de produzir, é só uma capacidade de apreciar que tem beleza ali. E olhar para os nossos pais novinhos é uma fonte inesgotável de beleza. Tem uma foto dos meus pais de quando eu era criança e quando eu olho para ela eu vejo que não tem adulto ali, que coragem de ter um filho, que coisa incrível, que generosidade e com certeza tropeçaram no meio do caminho, como todo mundo, mas começamos a ver que tinha uma existência prévia à nossa e cheia de histórias, vidas e significados. Acho que isso vale até para a gente com a gente mesmo. Às vezes eu olho para uma foto antiga e penso em quantas coisas tiveram que acontecer para eu chegar onde eu estou hoje e tem o olhar crítico, de achar um absurdo as coisas que você fazia no passado, mas tem um jeito de olhar com beleza para isso e que traz a gentiliza naturalmente. E uma coisa que eu quero passar para frente é uma postura com mais ternura, somos nós que vamos entregar e quando muitas pessoas estão dispostas a entregar, rola uma troca. Temos que entregar mais ternura e gentileza.

Marcela Ceribelli: Eu concordo. Quando eu penso no que está faltando para entrar em um lugar paz, de gentileza com nós mesmos, você falou da adolescência e quantas vezes eu pensei que eu fui idiota e eu tenho que me colocar em contexto, calma, eu era nova, mudei. Mas Helena, quando falamos de planos temos que lembrar que às vezes eles não acontecem como a gente queria e tem uma frase no livro “talvez você deva conversar com alguém” que explodiu a minha cabeça, quando a Lori fala sobre os lutos dos nossos futuros perdidos. Ela explica que todos os dias estamos construindo um imaginário do que vai acontecer na nossa vida e quando algo no presente muda, muito do sofrimento que sentimos não é por ter perdido ele no presente, mas sim por ter perdido um futuro idealizado. Como você se vê lidando com isso? Você já sofreu muitos lutos pelo futuro?

Helena Galante: Acho que esse trecho nos conta de como a nossa mente funciona, gastamos uma energia tremenda nessa criação de possibilidades o tempo inteiro. É aquela imagem clássica do equilibrar pratinhos, você tem que fazer a coisa acontecer e gerar esse futuro que temos imaginado, mas hoje eu penso que é exaustivo, eu queria ter que fazer menos, deixar as coisas chegarem até mim e acho que vem com essa sensação de deixar o amanhã mais livre. Eu tenho memórias e sempre tem a ver com fim de ciclos, lembro de ter caído uma ficha de que tudo acaba, nada é para sempre e onde eu posso me firmar? Porque parece tudo inconsistente nesse jeito de viver, a vida acontece e é um movimento, mas tentar não me fixar tem sido a minha expectativa, deixar as coisas em aberto. Entre as muitas possibilidades que o amanhã possa ter, como eu faço para ter uma mente aberta e aceitar todas elas? E aceitar com confiança de que a que aconteceu era para acontecer. Eu penso muito no meu passado, em finais de relacionamentos, eu já sofri e chorei muito, mas hoje eu vejo que foi a melhor coisa que me aconteceu e para a outra pessoa, então por que eu preciso olhar para isso com sofrimento? Tudo bem, doeu e passou, mas será que hoje em dia eu não posso fazer a mesma coisa? É se agarrar na incerteza do que vai acontecer e na confiança de que o que acontece é o melhor e lidamos com isso. Outro exemplo que me veio à cabeça, eu trabalhei com jornalismo gastronômico por 10 anos, era uma coisa que eu não pensava na faculdade, mas me apaixonei, até que teve um momento que não era mais, senti aquele vazio, uma sensação de hiato, eu não era mais a Helena da gastronomia e agora o que eu sou? Eu lembro de vir essa ideia na minha cabeça de esperar, o que tivesse que acontecer ia acontecer, mas eu não experimentei isso com prazer, foi difícil. Foi nesse momento que surgiu a “Jornada da calma”, eu precisava daquele hiato, se não fosse por ele, não teria o podcast.  Me conta por que você ficou chocada com esse trecho?

Marcela Ceribelli: Acho que porque eu tinha uma ideia, durante muito tempo, de como eu queria que fosse a minha vida e passei por momentos como você, em que sofri muito por futuros idealizados e hoje eu vejo que foram as melhores coisas que aconteceram na minha vida. Vou trazer um conceito japonês chamado “Shoganai”, que ao pé da letra significa “não tem jeito, não há o que fazer” e parece negativo, mas na verdade é uma filosofia japonesa que fala que é impossível ter o controle de tudo, se você não consegue mudar aquilo, deixa para lá. Você pode escolher o que carregar para o futuro, mas muitas das vezes é aceitar a impermanência e não carregar essa mágoa, é entender que durou o tempo que tinha que durar. E eu amo quando você fala que a vida acontece. Infelizmente, chegando ao final desse programa, é a gente pensar que para 2021 tudo que sabemos é que a vida vai acontecer, acho que a única meta que podemos ter é como vamos lidar com esse tempo em cada um dos agoras que vão se formar em 2021. Helena, muito obrigada, que troca valiosa.

Helena Galante: Eu estou muito emocionada, Marcela. Que bom uso do tempo, quanta beleza, inspiração, vida. Acho que é isso, a vida acontece e nos atravessa, eu não conhecia esse termo que você falou, mas acho que é a aceitação radical do que é e do que está sendo apresentado, esse é o ponto de partida para mudarmos o que queremos, a vida está nos contando o que está acontecendo, vamos olhar e a partir disso que chega até nós, trocamos alguma coisa. Essa ideia de troca é muito bonita, recebemos e damos nesse mesmo fluxo contínuo. Obrigada pelo convite, estou muito feliz em estar aqui.

Marcela Ceribelli: Obrigada e Feliz ano novo.

Helena Galante: Feliz ano novo.

Marcela Ceribelli: Muito obrigada a você também, que nos escutou até aqui, mas a nossa conversa não tem fim. Continuamos semanalmente na nossa Newsletter que você pode se inscrever no www.obvious.cc , no Instagram @ObviousAgency e com comentários e sugestões sempre com carinho no [email protected] . Bom dia, Obvious.

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