OBVIOUS

Manual do sexo seguro em lugares inusitados (não é só a camisinha, a coluna também importa!)


mensagem final dos artigos da Obvious

 

Em uma das últimas vezes que eu fui no hospital, tomei um remédio chamado decadron e o enfermeiro disse olha, esse remédio causa um formigamento pelo corpo inteiro, inclusive nas partes íntimas, então não se assusta. A Clarissa interna queria responder com algo do tipo: achei que eu só estava feliz em te ver. Eu não estava dando em cima dele, eu não tinha interesse nele, mas o que acontece é que eu tenho uma grande queda pelo humor. Por essa coisa de ser engraçada em momentos inoportunos. Relato a história como “a vez que quase transei no hospital”, porque não havia nenhuma possibilidade de transar: faltava interesse e, mais que isso, disposição, de ambos os lados. Mas de novo a graça vem do absurdo. E daí tá tudo bem.

Dos lugares fora de casa em que eu não transei, hospital é só mais um. São tantos. Máquina de lavar? Pra quê? Elevador? Só em Grey’s Anatomy. Uma vez comentei em voz alta que essa história de transar em avião é uma lenda urbana, e daí uma sagitariana (contexto relevante) respondeu na hora que já tinha transado mais de uma vez naquele banheiro minúsculo em que eu mal tenho espaço pra lavar as mãos. E olha que sou muito flexível por anos de ballet, mentira, de hiperextensão ligamentar.

Como boa jornalista investigativa, resolvi fazer pesquisa de campo. Onde seria possível transar de forma confortável fora da cama? Quer dizer, eu entendo o tesão de imaginar fazer sexo em vários lugares, mas eu imagino também a dor nas costas. E daí o cenário muda.

A dica mais importante de todas quando falamos de sexo é sempre a camisinha. Eu, como boa entusiasta do sexo seguro, da não gravidez (indesejada, claro) e de seguir sendo uma mulher livre de DSTs, considero que usar camisinha é uma boa prática de civilidade. Tipo ceder o assento para idosos. Então a primeira lição de todas é: leve camisinha. Mas não uma. Leve muitas. Pelo menos duas. Porque se tá tudo rolando bem e de repente a camisinha rasga ou cai no chão (esses exemplos não têm semelhança com a minha experiência pessoal), você tem outra ali prontinha pra entrar em cena.

O traje também deve ser pensado com cuidado. Não dá pra planejar uma noitada esporte fino e na hora querer um passeio completo. Por isso é bom pensar na ocasião e se perguntar: vou usar calcinha? Levo na bolsa? Saia ou vestido fica mais prático? Camisa de abotoar na frente? O resto eu deixo para imaginação. 

Mais dicas para a felicidade geral da nação é levar lencinhos umedecidos para vocês (e para limpar a bagunça caso você esteja em local público porque ninguém é obrigado a lidar com a sujeira dos outros), aproveitar todas as possibilidades dos espaços e não tirar toda a roupa. E agora que já passamos dos básicos, vamos para os cenários.

Empurrar o banco do carro pra trás e abaixar o encosto é uma possibilidade, mas também dá pra empurrar o banco pra frente e aproveitar o banco de trás. A frase ficou um pouco confusa? Sexo no carro também fica. A dica é estacionar em lugares onde não tem possibilidade de passar alguém e trocar de posições para evitar que os mesmos músculos estejam sempre trabalhando. Caso você queira estacionar o carro e transar se apoiando nele, vale abrir o porta-malas e usar a tampa de esconderijo.

Sexo no banho é um clássico. Tem a sensualidade do corpo escorregadio e a praticidade de já sair limpinha. Pra agradar de escorpianas a virginianas. No box, a privacidade não é um problema, mas a saúde sim: tem que levar chinelo para aumentar fricção com o chão e diminuir as chances de cair. E por isso também é preciso escolher bem as posições. Dá pra ficar de joelhos (já prepara o gelo porque vai ficar dolorido), virar de costas e apoiar os cotovelos na parede, e, pra quem tem menos equilíbrio, até sentar no box. Na banheira as coisas ficam um pouco mais complexas. Primeiro: é sua própria banheira? Vale garantir que ela tá limpíssima pra você e lembrar de arrumar a bagunça antes de sair.

A pessoa que vos fala não é fã de sexo na praia, porque a água salgada não parece a melhor companhia para o momento e tampouco a areia. Mas, se você quiser, leva uma canga pra botar no chão, uma calcinha limpa e aproveita o céu aberto. Os degraus da escada não são um lugar tão legal para aproveitar a modalidade: o corrimão é muito melhor. Dá pra apoiar as mãos, os cotovelos, a bunda, e encontrar várias posições possíveis. Usar a escada de casa é sempre mais garantido, mas, se você quiser ousar na escada do prédio, a dica é descobrir se tem câmeras, se o elevador está funcionando e ir pras escadas dos andares mais de cima, onde a probabilidade de alguém aparecer é menor (vai dizer, quem é que deixa de pegar o elevador pro décimo andar?).

Varandas e sacadas em andares altos são uma experiência incrível. A vista do resto da cidade, a segurança da privacidade e a ilusão de perigo são uma equação perfeita. Então bota o corpo pra frente, levanta essa raba e aproveita. Festas da faculdade são um dos melhores cenários para quem quer fazer sexo na sala de aula. É só achar uma sala vazia ou um corredor deserto em umandar diferente da festa, apagar a luz e aproveitar as possibilidades (tem mesa, cadeira, janela…).

Outras peças da casa são super práticas: é só trancar a porta e pronto, já tem a privacidade necessária e nem precisa sair. Se for no chão, dois conselhos bastam: um é ver se tá tudo limpinho, e o outro é ir já com a vontade explodindo pra ser bem rapidinho. A coluna agradece! As mesas da cozinha e da sala são multi-propósito, mas vale destacar dois: sentar em cima da mesa e abraçar a outra pessoa com as pernas; e deitar a parte de cima do corpo, de bruços.

E o sofá? Esquece tirar as almofadas e deitar na horizontal. Vale empilhar almofadas, sentar no braço do sofá, deixar uma pessoa no móvel e outra no chão.

Aqui realmente a criatividade é o limite 😉

E falando em limites… tem que sempre respeitar o seu.

Ter essas experiências é algo muito divertido se você tá a fim, mas mulher nenhuma tem que se dispor a fazer tudo pra ser considerada boa de cama. Então se você prefere a cama quentinha, gostosa, confortável e com ar condicionado, tá tudo certo. Pesquisas de campo à parte, na maior parte das vezes eu também prefiro. 😉

     

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