OBVIOUS

Relacionamentos familiares: importantes sim, complexos claro.


mensagem final dos artigos da Obvious

a pauta relações familiares orbitou bastante a minha cabeça nos últimos dias.

depois de ter passado uma temporada de duas semanas na casa da minha mãe, não paro de pensar em como é doida a experiência de ser inserida no mundo de acordo com a visão e as crenças que um certo grupo de pessoas tem – as pessoas que chamamos de família, no caso.

imersa nesse emaranhado de afetos que vão do amor ao ódio num piscar de olhos (incrível como esses dois andam sempre tão juntos, tão pareados, né?) tentei dar contorno ao que vivi e senti pincelando algumas reflexões com vídeos, entrevistas, livros e quotes que atravessaram minha cabeça, olha só:

#01 o mito do amor materno

não foi só o amor entre casais que foi romantizado, o amor materno também.
neste vídeo aqui, Maria Homem, psicanalista e professora, dá uma palhinha sobre o assunto em dez minutos necessários. já nesta entrevista, a filósofa Elizabeth Batinder explica a teoria que criou sobre o assunto, ou seja, sobre o instinto materno não ser algo que nasce espontânea e naturalmente nas mulheres. essa entrevista é bem bem boa, assista se puder e me conta depois o que achou!

#02 o que você faz com o que fizeram de você?

tem uma frase do Sartre que eu gosto bastante e que diz assim: “Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você.” eu acho que ela se aplica tanto à relação parental, sabe? no sentido que herdamos muito dos nossos pais, mas só depois de nos darmos conta disso é que é possível decidir o que fazer a respeito.

muito abstrato? vou exemplificar: alguma vez você já notou que algo que não gosta em si mesma, é na verdade uma característica da sua mãe? been there e olha, a situação é bem desconfortável, mas é também o primeiro passo para conseguirmos mudar e fazer algo com o que fizeram da gente.

“ os sofrimentos familiares são como elos de uma corrente que se repetem de geração em geração, até que um descendente tome consciência e transforme os infortúnios em benção” (Bert Hellinger)

#03 (não) te considero pacas

já percebeu como existe uma pressão imensa pra que continuemos próximas e felizes ao redor de pessoas que, além do laço familiar e de sangue, não têm mais nada em comum com a gente?

pra mim foi bem difícil aceitar que eu não tinha mais prazer algum em dividir momentos com certas pessoas da minha família ~climão kk mas, veja bem, assim como em todos os tipos de relacionamentos, as concessões existem também aqui.

por isso, apesar de hoje eu entender família muito mais como o grupo de pessoas com quem eu escolho compartilhar a vida de perto, eu sigo vendo meus ~parentes, só que agora no meu tempo e sem a obrigatoriedade da frequência que um dia (alô, infância!) me foi imposta.

bônus track: esse texto da The Atlantic questiona o que aconteceria se as amizades fossem o centro das nossas vidas no lugar do casamento e ele é apenas excelente, recomendo fortemente a leitura!

#04 ancestralidade

apesar da solidão iminente à existência, viemos de algum lugar e família é um pouco sobre isso, sobre poder olhar pra trás e encontrar conforto nos dias em que é mais difícil olhar pra frente.

#05 Elena Ferrante & a relação mãe-filha

pra mim, Elena retrata com maestria as muitas implicações dessa relação tão importante e ao mesmo tempo tão complexa. a causa-efeito que uma mãe exerce sobre sua filha, por exemplo, é destrinchada tanto na Tetralogia Napolitana, quanto em Um Amor Incômodo.

#06 relações familiares pra assistir

não dá pra falar de relações familiares sem falar de This Is Us, série que viaja entre passado, presente e futuro para explicar a trama da família Pearson. com episódios comoventes e alguns bons plot twists, o enredo se desenrola mostrando como situações que aconteceram na infância e adolescência moldam os adultos que os personagens se tornam menos emocionante, mas igualmente válida de ser assistida está Transparent, série que além da temática relações familiares, aborda bastante sexualidade e gênero.

 

e por aí, como as suas relações familiares são sentidas? vou adorar saber! me escreve no [email protected] ou lá no DM @tczare.

5 thoughts on “Relacionamentos familiares: importantes sim, complexos claro.

  1. PatzRodrigues says:

    thais, seus textos são incríveis. eu já acompanhava na newsletter e agora to muito feliz de acompanhar mais por aqui <3 voce é inspiradora!
    obs: o texto está sem os links das dicas de vídeos e entrevista, acho que precisa revisar 🙂

  2. Camila says:

    Esse texto veio em um momento muito importante pra mim! Depois da perda precoce e repentina de uma tia, me vi imersa nas minhas tramas familiares como há alguns anos não estava. Isto, associado a pandemia e minha dificuldade em ver pessoas pessoalmente e todo o trabalho mental em espaçar encontros, me tirou do eixo e custei a perceber. A perceber o sentimento de culpa por não querer estar tão próximo e “precisar estar. Esse texto foi um preguinho na realidade pra me recordar que dá pra amar de longe, no nosso espaço e tempo, sem se doar 100% em relações que (nem sempre) fazem sentido.
    Obrigada!

  3. Priscila Rossetto says:

    Texto maravilhoso! Ajuda a entender a complexa relação com a família, ainda mais nesse contexto pandemico onde a convivência está sendo colocada a prova 100% do tempo (pelo menos pela minha perspectiva e realidade atual que vivo)
    🙂

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