OBVIOUS

Projeto saúde financeira, com Nathalia Arcuri


mensagem final dos artigos da Obvious

Marcela Ceribelli: O coração acelerado, uma certa adrenalina e um prazer rápido, mas intenso. Eu poderia estar falando de várias coisas aqui, mas nesse caso estou falando sobre as sensações físicas de comprar. Hoje, já comprovado cientificamente, consumir libera os mesmos hormônios que outros prazeres da vida. Existe inclusive um termo para isso, “shopping high”, ou em bom português, chapadinha de comprar. Mas em um país que até 1962 as mulheres casadas não podiam abrir conta própria no banco e precisavam de permissão dos maridos para trabalharem fora, alimentaram o mito de que são mais suscetíveis a compras por impulso, que estão dispostas a pagar mais que os homens, alô taxa rosa, ou que levam menos jeito para o assunto finanças. É também uma maneira nos afastar da nossa saúde financeira. Enquanto alimentam e normalizam o mito da mulher gastadeira seguimos recebendo menos. O salário das mulheres corresponde a 67,92% a menos que os homens. Se compararmos o salário com uma pizza, o salário deles seria equivalente a oito fatias, uma pizza inteira, enquanto o salário das mulheres seria aproximadamente de cinco fatias e meia. O modo como nos relacionamos com dinheiro é, de muitas maneiras, um sintoma de como nos relacionamos com qualquer outra coisa na vida, por isso, cuidar da nossa saúde financeira faz parte do cuidado com a saúde mental e do futuro que queremos para nós mesmas. Bom dia, Obvious. Eu sou Marcela Ceribelli, CEO e editora criativa na Obvious, e hoje converso com a jornalista, podcaster, youtuber e o que mais ela quiser reinventar, Nathalia Arcuri.

Marcela Ceribelli: Nathalia, muito bom dia, obrigada por estar aqui no Bom dia, Obvious. Como você está hoje?

Nathalia Arcuri: Estou bem, feliz da vida, muito contente de participar deste podcast maravilhoso, pronta para espalhar a riqueza para quem quer que esteja nos escutando.

Marcela Ceribelli: Eu gosto de riqueza. Mas antes de começarmos a falar de riqueza, você é jornalista, podcaster, youtuber e referência quando falamos de educação financeira na internet. Mas caso alguém tenha ficado sem internet nos últimos anos, você pode se apresentar?

Nathalia Arcuri: Bom, eu sou jornalista, de formação, sempre gostei de cuidar do dinheiro quando ainda nem tinha, sabia que precisava dele para realizar aquilo que eu queria, então comecei a economizar muito cedo, fazendo os meus bazarzinhos em casa, ajudando quem eu pudesse ajudar. Fiz uma carreira como jornalista na TV, trabalhei no SBT durante muito tempo, depois na Record. Mas eu nunca pude exercer a minha paixão pelas finanças no jornalismo, fiz matérias de todos os tipos imagináveis, cobri tsunami, tragédia, fiz pauta de todos os gêneros, porta de delegacia porta de necrotério, tudo que é porta eu já passei por elas. Isso foi muito bom, me deu uma noção bacana de qual é o Brasil de verdade, algo que o jornalismo e a reportagem me proporcionaram foi essa a oportunidade de conhecer os cantos do Brasil que jamais teria conhecido se não fosse por conta dessa profissão. Em 2012, já meio frustrada, já realizado tudo o que queria como jornalista, apresentadora, eu que sempre gostei de finanças, investimentos, sofria bullying de todo mundo, me chamavam de muquirana, mas tinha algo dentro de mim que me dizia que estava no caminho certo. Eu nunca abri mão de nada, pelo contrário, sempre tive objetivos muito claros e fui aprendendo a multiplicar o meu dinheiro através de bons investimentos para chegar onde queria. Em 2015, depois de tentar durante muitos anos dentro da TV, colocar algo relacionado à finanças dentro do mainstreaming, achava que as pessoas precisavam saber aquilo que eu sabia e que era tão relevante para minha vida. Eu tentei durante muitos anos fazer um reality de transformação financeira na emissora em que trabalhava, não deu certo, então comecei um blog em 2015 quando iniciou essa onda de Youtube. Pensei que pudesse haver um caminho lá também, eu queria que me vissem na TV e me dessem mérito, queria mostrar que eu era capaz de mudar a vida financeira das pessoas. Comecei o “me poupe” no Youtube em 2015, que muito tempo depois virou o maior canal de finanças do mundo, com quase 6 milhões de inscritos. E ele começou comigo, uma câmera de segunda mão, uma colher de pau e a Margareth minha primeira funcionária, que fazia o foco da câmera. Até hoje mantemos esse espírito, hoje o “me poupe” tem 45 funcionários, é uma empresa constituída e eu continuo sendo tudo o que você falou, mas agora tem gestora, CEO…  A vida foi complicando ao longo do tempo, mas também ficando mais gratificante, porque hoje conseguimos chegar a 20 milhões de pessoas todos os meses e impactar positivamente a vida de 20 milhões de pessoas e está crescendo cada vez mais.

Marcela Ceribelli: Eu acho que é uma mega referência para todo mundo quer fazer uma carreira na internet, mas eu vou ser 100% sincera com você, quando eu te conheci, me doía a alma assistir seus vídeos, porque tocava em umas feridas muito profundas e eu tenho certeza que muitas pessoas sabem disso e pensam “isso é impossível para mim”, mas na verdade não, pois está em tocando algo em você. Na última gravação, eu estava falando com a equipe, porque elas entraram e falaram “Marcela, eu deveria guardar o meu dinheiro na poupança?” e eu amei, comecei a falar todos os meus conhecimentos e que guardar dinheiro na poupança é perder dinheiro. E não há nada melhor como se sentir dona desse assunto. Mas eu queria saber de você, como que você acha que conseguiu aos poucos ir quebrando essa barreira nas pessoas, que eu já admiti que tinha?

Nathalia Arcuri: Eu sempre acreditei que esse era um assunto apaixonante, toda vez que alguém diz “você fala de um assunto chato, de um jeito tão legal” eu penso, mas chato para quem? Por que é chato você realizar seus sonhos? Você ser dona da sua vida? Poder dar o pé em um boy escroto porque você paga a sua conta? Como isso pode ser chato? Então acho que como eu nunca acreditei que isso era chato, essa visão nunca me pegou. Para mim, cuidar do dinheiro, ter uma vida financeira próspera, saber fazer o seu dinheiro render, negociar salários, pedir desconto, fazer renda extra, criar um planejamento, fazia parte da conquista de sonhos. Não só sonhos distantes, quero fazer uma viagem todo ano, ter o meu carro pago á vista. Os bancos já estão ricos o suficiente, quem precisava ficar rica, era eu, que não tinha nada. Acho que esse é o jeito de falar sobre o assunto, de uma forma que faça sentido para as pessoas. Eu sempre acreditei que cuidar do dinheiro não era uma questão de matemática, até porque todo mundo que fala “não sei fazer isso porquê sou de humanas” e eu sou jornalista, não sou boa em matemática, nunca fiz uma planilha, até virar empreendedora, para separar a minha vida financeira pessoal de PJ, mas até então eu nunca tinha feito uma planilha. Sempre soube colocar os meus objetivos, primeiro investir e depois viver com o que sobrava e para mim era tudo tão óbvio. Entendi que não era uma questão de matemática, mas sim de hábitos e comportamentos, eu via o mesmo tipo de comportamento da diarista á repórter que ganhava um salário de dois dígitos e trabalhava junto comigo. Essa dor que você sente é proposital, eu faço as coisas para doer, pois através da dor, ou do amor, é que vem a transformação.

Marcela Ceribelli: Estou um pouco apaixonada por você, sabia que iria acontecer. Mas duas coisas que eu queria puxar do que você falou. A primeira, pesquisando para o episódio, eu cheguei em um artigo incrível da BBC, falando do “shopping high”, que é o chapadinha de compras, mostrando que disparamos dopamina ao comprar e de fato comprar é um prazer real. Então não é atoa que nessa pandemia, claro, tivemos um abismo social gigantesco, mas pessoas com condição acabaram perdendo o controle de gastos, pois sobraram poucos prazeres na quarentena. Mas eu fico me perguntando, que em um país com esse abismo social, quais são os desafios para falar de educação financeira? Me parece que as realidades são muito diferentes, eu estou falando de um futuro porque eu posso, mas muitas pessoas estão falando do dia de amanhã. Como ponderamos esse discurso?

Nathalia Arcuri: Eu acredito, que primeiramente, precisamos pensar “até onde é o alcance da minha voz hoje?”. Estamos falando de uma mídia que, certamente, a pessoa que não tem dinheiro nem para pagar o almoço de amanhã, ou que depende de um auxílio do governo, provavelmente não está ouvindo a esse podcast, ela não tem acesso a um bom telefone, á internet. Eu tive que me conformar por um tempo que a minha voz não vai alcançar a todos e pode ser que eu nunca consiga isso. E eu preciso, assim como eu ensino a todos, ir de pouquinho. Como se come um elefante? Pedacinho por pedacinho. Preciso me conformar que terei que fazer uma escolha, neste momento a escolha é, quem são os indivíduos que estão hoje na internet e que estão ferrados pois não sabem fazer o uso do pouco, ou muito dinheiro que têm? Eu fiz uma escolha para este público bancarizado, que tem acesso a serviços financeiros. No Brasil, até o início da pandemia, tínhamos até 40 milhões de pessoas desbancarizadas, o buraco é mais embaixo. Também sei que boa parte dessas questões passam por políticas públicas, então precisamos aprender a separar. Muitas pessoas falam “vai dizer isso para mãe de família com três filhos na favela”, e eu respondo que não estou falando para ela e sim para você, pois essa pessoa é dever do governo se ocupar. Um dia, quando o meu trabalho para essa população já estiver saturado, e vamos lembrar que nós temos 70 milhões de inadimplentes em uma população de 200 milhões, se a pessoa está inadimplente é porquê algum dinheiro ela tinha e acesso á crédito, ou seja, esse público eu consigo salvar, pegar pela mão e ajudar, é para essa camada da população que temos como prioridade agora e pelo menos para os próximos cinco anos. Impactamos essa camada da população que tem acesso? Agora o que podemos fazer para expandir o nosso impacto? É dessa maneira que eu vejo, vamos conseguir chegar em quem está disponível hoje e para isso usamos Youtube, rádio, podcast, Instagram, Facebook, TV aberta, elevadores, metrô.

Marcela Ceribelli: Quando falamos de público, eu sei que o meu público é 90% feito de mulheres e quando falamos de mulheres e dinheiro, tem uma linha do tempo que agrava o tabu, que é falar sobre esse assunto. Até 1962 as mulheres precisavam de permissão dos maridos, para trabalharem, sendo que essa autorização poderia ser revogada a qualquer momento e também, até esse mesmo ano, as mulheres casadas não podiam abrir conta no banco. Apenas em 1974 conquistamos o direito de ter o nosso próprio cartão de crédito. Nath, quais são as consequências desse histórico na relação das mulheres com a finança?

Nathalia Arcuri: Apesar de ser tão recente, ao mesmo tempo, parece tão distante. Acabamos não entendendo que essa cultura paternalista, machista, influencia nas nossas atitudes e decisões, no subtexto que está na cabeça de cada uma de nós, até hoje. Por mais que falamos que somos independentes, meu público também é majoritariamente feminino, toda vez que eu trago essas questões de até que ponto você é independente financeiramente, se você ficasse sem o seu marido, parceiro, pai, se você não tivesse essas pessoas próximas á você, como seria a sua vida? E muitas respondem que não sabem, que nunca cuidaram dessa parte e não se preocuparam. Quando você faz esse tipo de questionamento, você descobre e faz a pessoa chegar num lugar em que ela entende, que mesmo acreditando que é feminista e independente, são questões que vão muito além disso e se não discutimos sobre essa voz está sempre ali no fundo. Por exemplo, um super tabu, casais héteros, “eu fico sem jeito de ganhar mais que o meu marido” “não sei como seria se eu ganhasse mais do que ele, acho que não seria algo bem visto em casa” e qual é o problema? Começamos a esbarrar em questões dos dois lados, você quer independência, mas não quer pagar conta. Por exemplo, no meu casamento, hoje eu ganho muito mais que o meu marido e eu me sentiria super a vontade se um dia nos separarmos e eu tivesse que compartilhar tudo que eu conquistei com ele. Seria mais ou menos assim se fosse o inverso, a lei de bens, caso você não tenha escolhido no papel, diz que prioritariamente, vai ser uma separação parcial de bens, tudo que você acumula depois do casamento é dos dois. Para mim está tudo bem, se eu ganho mais do que ele hoje, eu pago mais do que ele hoje. Só que isso é um baita de um tabu, todo mundo quer ser independente, até o momento que começa ganhar muito dinheiro e aí se vê na outra posição daquele relacionamento. E ás vezes, por ter isso como um subtexto, a mulher acaba se colocando em um papel inferior mesmo dentro das empresas, por também achar que não merece aquela remuneração. Não estou dizendo que a mulher é culpada de ter salário menor do que os homens, existem dados que mostram que temos uma desigualdade muito grande na questão salarial aqui no Brasil, são dados do IBGE que demonstram isso. Eu também sempre gosto de trazer isso á tona, o nosso comportamento diante do dinheiro é que vai nos dar a capacidade de ter mais dinheiro, de nos sentirmos mais autônomas sobre ele. Quando eu sento numa mesa de negociação e digo para uma pessoa que quer me contratar que eu preciso de mais dinheiro do que aquilo que estão me oferecendo, não tenho medo de aceitar a primeira coisa, porque esse “será que o meu trabalho vale?” ainda tem um resquício cultural do passado. Se até pouco tempo atrás eu não podia nem trabalhar, como é que agora eu vou meter minha teta na mesa e falar “por esse salário não consigo ir, o mínimo que faz sentido pra mim é tanto, por causa disso…”. O que a gente precisa pra chegar lá? Na minha opinião é conhecimento, preciso conhecer quais são as minhas fortalezas, quais são os resultados que eu gero, preciso ir atrás também de mais conhecimento, quanto mais conhecimento tiver, mais confiança sobre mim mesma, sobre as minhas habilidades e sobre a minha capacidade de gerar resultados eu vou ter.

Marcela Ceribelli: Eu posso voltar só na primeira pauta que você trouxe sobre casamento, quando mulheres ganham mais do que homens? Eu acho essa pauta maravilhosa. Muitas vezes eu escuto falando “eu quero homens com menos masculinidade tóxica, mais feministas” e você questiona “ok, mas você toparia estar com um cara que ganha menos que você?” e a resposta instintiva é “não, aí já é demais” inclusive no “Indomável” da Glennon Doyle, ela fala que muitas vezes ao conversar com suas amigas, elas diziam “estava com ele e aí ele começou a chorar e eu não estava preparada para ver o meu marido chorando”. Eu acho que muitas vezes falamos que queremos homens mais vulneráveis, mas será que queremos mesmo homens vulneráveis? A gente aceitaria estar nessa posição? Eu gosto muito quando você fala dessa história de tentarem descredibilizar o sucesso, como vemos constantemente a sociedade fazendo isso, mas essa mesma sociedade também gritando pelo nosso dinheiro. Eu tenho a sensação, na verdade tem até um termo, que é o “imposto rosa” de que o consumo feminino é demandado o tempo inteiro. Você quer explicar, Nath?

Nathalia Arcuri: Tem vídeo no canal explicando qual é o custo a mais que a gente tem só pelo fato de ser é mulher. É muito comum você ver produtos que são iguais, mas o rosa custa mais caro do que o azul. Desodorantes, por exemplo, o masculino é mais barato e o feminino mais caro. Lâmina de barbear é só olhar quanto custa o feminino e o custa masculino, e tem outros estudos. Roupa infantil, a feminina custa 40% mais caro, sem falar em produtos que só nós consumimos, maquiagem, absorvente e tem o imposto sobre esses produtos. Tinha um projeto de lei, se eu não me engano, da Tábata Amaral para acabar com esse imposto e tem países que não cobram imposto sobre esses produtos. Nós temos, só pelo fato de sermos mulheres, uma série de questões culturais que são impostas; cabelo, maquiagem, lipoaspiração, beleza, acessórios. É sempre uma cobrança. Se vermos o tanto de dinheiro que você gasta com todas essas coisas, de novo não é pra deixar de comprar, no vídeo eu falo muito sobre isso, mas é você ter um olhar mais atento sobre o quanto de vida você está colocando ali. Eu acredito que o dinheiro é fruto do meu trabalho e o trabalho é fruto do meu tempo e o tempo é o ativo mais precioso que eu tenho. Então, na hora que eu vou usar o meu dinheiro eu preciso ter cuidado com isso.

Marcela Ceribelli: E um aprendizado que mudou 100% a minha percepção sobre saúde financeira foi quando me disseram que a gente não enriquece com dinheiro que a gente ganha, mas sim com o dinheiro que guardamos. Eu queria saber de você, qual a sua resposta quando te dizem “eu não sei pra onde vai meu dinheiro todo mês”?

Nathalia Arcuri: Se você não sabe, o banco certamente sabe, a financeira certamente sabe e estão te agradecendo. Quanto menos você souber, mais felizes eles vão ficar com a sua ignorância. Se você falar que é feliz com a vida que você leva, quem sou eu pra falar alguma coisa, agora se não é essa vida que você gostaria de ter, a única pessoa capaz de mudar isso é você mesma.

Marcela Ceribelli: Para a gente finalizar, eu tenho uma última pergunta que é 100% por motivações pessoais e tomara que essa resposta vire um ringtone do meu celular para que o meu namorado possa ouvir diariamente. Em relação aquele clássico pensamento “não vou levar dinheiro do túmulo” “eu posso morrer amanhã e não ter vivido”. Você se arrepende de não ter vivido algo porque estava economizando para ter vida que você tem agora?

Nathalia Arcuri: Não, nenhum pouco. Eu nunca deixei de fazer nada, só tive a paciência de esperar o momento certo para ter aquilo e beneficiar a Nathalia do presente e a Nathalia do futuro. Eu não posso permitir que a Nathalia do presente foda com a do futuro, eu me amo demais para provocar isso para mim. E sei que vou viver muito, as possibilidades de eu viver pouco são muito pequenas e a pergunta que eu faço para o seu namorado é, e se você não morrer? Você vai passar a sua vida querendo morrer porque você gastou todo seu dinheiro? Essa é vida que você quer ter? São desculpas prontas que estão guardadas, preparadas porque eu não sei lidar com essa cobrança, então eu respondo aquilo que me vem à cabeça, que é qualquer coisa que não faça o menor sentido, como isso “se eu morrer não vou levar nada pro túmulo comigo” “caixão não tem gaveta”. Eu nunca deixei de fazer nada, sempre transformei tudo aquilo que eu queria em meta e prometi pra mim mesma que iria enriquecer a mim própria e não ao banco. Por que eu vou fazer financiamentos, parcelamentos se eu mesma posso ganhar dinheiro através do meu próprio dinheiro? Então é muito fácil você falar que o dinheiro não vai para o túmulo, mas quando você tem o benefício de poder ter a escolha de continuar trabalhando, e faz três anos que eu trabalho só porque eu quero, e não porque eu preciso, aí eu te digo que tudo vale a pena.

Marcela Ceribelli: Perfeita, já era muito sua fã e agora eu sou sei lá, devota.

Nathalia Arcuri: Assim, mas o que eu mais gosto incentivar todo mundo é ao pensamento crítico, pode ser que para uma pessoa o que eu estou falando aqui não faça o menor sentido e tudo bem, talvez isso não se encaixe no seu momento de vida atual. Sempre falo para os meus alunos, o que é essencial o seu namorado, namorido e o que é essencial para você? As pessoas tem muito isso de “aí, lá vem ela falar para cortar o cafezinho” eu nunca falei isso na minha vida, muito pelo contrário, o que eu falo é o seguinte, o cafezinho importante pra você? Ok então tenha o dinheiro do cafezinho carimbado e você nunca vai ter que abrir mão do que você gosta, acontece que a maioria das pessoas nem sabe o que gosta e nem sabe o que quer. Elas vão vivendo, comprando e pagando o que o marketing impõe para elas. Exemplo, estou aqui no meu feed do Instagram e vi algo que eu queria, na verdade eu nem queria, mas ele apareceu para mim e comprei, por que ficar guardando dinheiro? Mas aquilo na verdade te trouxe satisfação? Se eu for colocar a minha satisfação como alguém que planeja, quer e deseja, sou eu que tomo a decisão, eu que digo como o meu dinheiro vai me servir. Isso é muito do comportamento de manada, todo mundo faz, eu vou fazer também. Tudo bem, você pode ser feliz assim, mas pra minha vida é mais importante que eu faça e tenha aquilo que eu julgo ser mais importante pra mim. Eu, por exemplo, hoje não moro numa casa própria, moro de aluguel, para mim não faz sentido ter casa própria, eu estou muito mais satisfeita vivendo de aluguel e o meu dinheiro está pagando, rendendo juros sobre juros, estou fazendo outra operação que eu vou financiar uma casa e vou pagar o financiamento com juros do meu investimento, mas é isso funciona para mim. Antes de qualquer coisa, o seu namorado, namorido e todo mundo aqui precisa se responder “o que é mais importante para mim?” e eu nunca vou poder julgar o que é mais importante pro outro. Se para você é importante ter roupas da moda, eu nunca vou dizer que é um absurdo você gastar R$4000 em uma bolsa. Quem sou eu pra te julgar? Eu estou aqui muito mais para fazer com que o seu sonho seja realidade sem que a pessoa do presente ferre com a pessoa do futuro.

Marcela Ceribelli: Obrigada! Esse trecho quem vai levar para terapia sou eu e desde já me perguntando o que é importante pra mim. Nath, muito obrigada.

Nathalia Arcuri: Eu que agradeço, o que eu mais amo na vida é falar sobre isso, trazer um outro olhar sobre algo que está no nosso dia a dia e que muitas vezes jogamos para debaixo do tapete. E gostaria que todos se inscrevessem no canal, seguissem no “Poupecast” que está em todos os lugares, youtube.com/mepoupe na web. Obrigada, faço isso por vocês.

Marcela Ceribelli: Muito obrigada também a você que escutou até aqui, mas a nossa conversa não tem fim, continuamos semanalmente na nossa Newsletter que você pode se inscrever no www.obvious.cc  no Instagram @ObviousAgency e com comentários, sugestões sempre com carinho no [email protected] ! Bom dia, Obvious.

Clique na imagem para ouvir o episódio <3

One thought on “Projeto saúde financeira, com Nathalia Arcuri

  1. JESSICA says:

    “me doía a alma assistir seus vídeos, porque tocava em umas feridas muito profundas” super me identifiquei com esse comentário.! entrevista maravilhosa kkkkk

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