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Estar presente é um presente, com Andréa Perdigão


mensagem final dos artigos da Obvious

Marcela Ceribelli: Respirar fundo, esvaziar a mente, viver o presente, ensinamentos, pensamentos poderosos e familiares, mas que no momento atual parece que escaparam de nós. Os últimos meses trouxeram dores que praticamente todas nós não imaginávamos que iriamos sentir e o corpo fala, insônia ou sono demais, fome, ansiedade e até falta de ar. Sejamos honestas, muitas vezes, essa máquina complexa transmite sinais importantes, fomos ensinadas ou a tratar para que passasse o mais rápido possível ou a ignorar. Mas qual seria o efeito em nós, como sociedade, se fossemos capazes de estarmos tão conectados com a nossa natureza a ponto de diagnosticar quando os sintomas físicos estão conectados com a nossa mente? Bom dia, Obvious. Eu sou Marcela Ceribelli, CEO e diretora criativa da Obvious e hoje converso sobre meditação, silêncio e sono como ferramentas para a felicidade, com a escritora e terapeuta especializada mindfulness e eutonia, Andréa Perdigão. Quando o episódio acabar, continue lendo, nós preparamos um presente especial para você, uma meditação guiada pela própria Andréa, que vai te ajudar a relaxar a mente e estar presente.

Marcela Ceribelli: Bom Andréa, queria começar te agradecendo por ter aceitado o convite, tenho certeza que vamos ter uma conversa muito enriquecedora.

Andréa Perdigão: Obrigada, Marcela. Eu que agradeço pelo convite.

Marcela Ceribelli: Andréa, eu te conheci pelo aplicativo “Calm” de mindfulness, mas você é especialista em prática de eutonia, meditação e mindfulness. Você pode me explicar um pouco o que são essas coisas, quais as diferenças entre elas e como é trabalhar com isso?

Andréa Perdigão: Eutonia é a parte que eu tenho mais experiência, é um trabalho que faço há 36 anos, uma técnica que prima com a gentileza com que abordamos o corpo, um trabalho de percepção corporal para ganhar consciência do seu espaço corporal, como cuidar de si e do seu próprio corpo, pode ser tratado em grupos e individualmente. Eutonia quer dizer tônus bom, tônus equilibrado e como conseguir uma dinâmica de equilíbrio para a tensão do corpo de acordo com as atividades cotidianas. É um trabalho de chamar as pessoas a estarem presentes no seu próprio corpo e saber cuidar dele, não é só sobre alimentação e exercícios, é cuidar através do senti. Desaprendemos a sentir a pele, o corpo, os sinais que ele dá e muitas vezes a dor vem por um período prolongado surdez em relação ao corpo, não percebemos que passamos do limite, que exageramos, então a eutonia é um convite para você se apropriar do seu corpo e saber como lidar com ele. O mindfulness é uma prática de meditação que ficou muito popular recentemente e é tão milenar quanto o budismo, é essa atitude de estar presente a cada momento, intencionalmente em tudo que você faz, sem julgamento e se une com a eutonia pela questão do corpo, um dos pilares para te ancorar no estado de presença, é o corpo, é aprender, perceber e senti-lo. O mindfulness tem três práticas formais de meditação, uma delas é ficar sentada em silêncio e meditar, a outra é o escaneamento do corpo, yoga, estar no corpo consciente do seu gesto, da sua postura e a terceira é meditar caminhando, é muito boa para quem não consegue ficar parado.

Marcela Ceribelli: Essa é para mim, não consigo ficar sentada só em silêncio, adorei a possibilidade só de caminhar.

Andréa Perdigão: Interessante você falar isso “eu não consigo”, se você estivesse em um grupo meu, eu ia falar “o que é não conseguir meditar?”, as pessoas têm essa ideia de que meditar é esvaziar a mente, como a minha mente não se esvazia, eu não sou boa para meditar. E esse é um dos enganos da meditação, ela inclui você estar consciente dos seus pensamentos e perceber quando eles não param. O pensamento é uma parte integrante da meditação.

Marcela Ceribelli: Para mim era justamente isso, eu sou muito agitada, sempre brinco que a minha meditação é o esporte, quando eu estou fazendo esporte só presto atenção no meu corpo, a minha mente está vazia. Serve como mindfulness?

Andréa Perdigão: Sim, muitas vezes quando praticamos esportes estamos praticando o mindfulness, mas é uma pratica informal, a formal seria escaneamento, yoga ou andando. Meditação informal pode ser regar o jardim, brincar com o cachorro, amamentar um bebê, lavar louça, arrumar a cama, isso se torna uma forma de mindfulness quando percebemos os gestos. Por exemplo, ao lavar a louça, perceber a temperatura da água, o peso da louça, a esponja deslizando no prato, tudo pode virar uma prática informal de mindfulness.

Marcela Ceribelli: É muito poderoso se conseguirmos mergulhar nas atitudes mundanas, principalmente nesse momento em que o nosso mundo passou a ser limitado em um espaço tão pequeno.

Andréa Perdigão: Exatamente, nas atitudes ordinárias. As experiências ordinárias são oportunidades para a meditação, não existe uma separação clara entre sentar e meditar, a vida é uma meditação. Escutar de verdade o que o outro fala, quantas vezes não escutamos o outro por causa de tanta coisa que temos na nossa cabeça? É um exercício de mindfulness focar no que a pessoa está falando, escutar e ver o que reverbera em você e depois pensar no que vai dizer para ela. Mindfulness entra em todas as atitudes da sua vida, no banho, sentir a água quente descer pelo seu corpo, tocando a sua pele e depois sentir a toalha, tudo é uma experiência sensorial.

Marcela Ceribelli: Acho que isso eu faço, banho é um ritual.

Andréa Perdigão: Isso tudo pode ser uma prática de presença, sem julgamentos, é a prática da gentileza também. Tudo é uma experiência de mindfulness.

Marcela Ceribelli: Acho que é muito mágico pensar dessa forma, quando começamos a falar de meditação, no início dos anos 2000 eu lembro que a minha mãe começou a praticar yoga e meditação, parecia uma coisa distante que você tinha que ir para Índia e ser vegano para fazer, é muito mágico ver que está tão próximo de nós. Não sei se você acompanhou o Big Brother, mas a Manu Gavassi, uma das participantes, falou que só sobreviveu confinada porque fazia meditação todos os dias, ela conseguiu mergulhar dentro dela e emanar uma energia muito boa para todos que estavam ali. O confinamento do Big Brother é um pouco de quarentena, né?

Andréa Perdigão: Com certeza, isso me lembrou um escritor e médico americano que foi preso, ele narra que em um momento estava se sentindo só e foi escovar os dentes, ele começou a sentir o toque da fibra da escova de dente na gengiva dele e por alguns minutos ele se sentiu livre, como se o confinamento tivesse se dissolvido. Acho que esse exercício da presença é uma chave muito boa para enfrentarmos a nossa quarentena, nosso isolamento, cada um está vivendo isso de maneiras distintas, com desafios diferentes e temos que pensar em como transformar os eventos mais ordinários em instantes de percepção de si mesmo. Eu sinto que as pessoas buscam o entretenimento para preencher o espaço e por que eu não posso só me sentir um pouquinho? Você se resgatou, se recuperou um pouco e sai desse estado mental acelerado.

Marcela Ceribelli: Uma das primeiras coisas que vimos quando começou a quarentena, foi esse entretenimento do que ouvir, fazer, assistir? Qual é o medo que as pessoas têm, de uma forma geral, do silêncio?

Andréa Perdigão: Essa é uma grande pergunta, as pessoas têm muito medo do silêncio, ele virou um inimigo a ser evitado a qualquer custo, acho que é uma pergunta para as pessoas fazerem a si mesmas, por que eu tenho medo do silêncio? O que ele me revela que eu tenho que colocar vários assuntos para não aparecer? Acho que o silêncio é a gente mesmo, ele é só para você com você. Por que é tão difícil ficar com você e ver o que aparece? Acho que quem atravessa esse medo, essa angústia, pode ter revelações incríveis. Mas vem um conteúdo no silêncio que nem sempre vai ser fácil.

Marcela Ceribelli: Eu sou muito fã do silêncio, acho que descobri muito nova esse valor, sou a pessoa que fica olhando para o céu e chega uma hora que eu preciso parar o mundo, acho que isso está conectado com a minha facilidade em dormir e um dos sintomas dessa pandemia é a insônia, como o sono está conectado a tudo isso?

Andréa Perdigão: O Brasil é um dos países mais ansiosos do mundo, isso está diretamente relacionado ao sono. O sono está intimamente ligado a um grau intenso de atividade mental, um dos grandes desafios é conseguir fazer esse desligamento, parar de olhar, pensar, controlar tudo. É quase como se eu fosse ser abduzida e o mundo fosse desmoronar. Tem uma ansiedade muito grande junto com essa atividade mental que não consegue ser cortada, a prática de meditação ajuda a trazer um pouco de circulação sanguínea para o resto do corpo, de atenção. Quando vamos deitar, o nosso grau de aceleração não para e os professores de mindfulness falam “não acredita tanto nos seus pensamentos, principalmente à noite”, os pensamentos que vêm à noite, geralmente, são catastróficos, o que pensamos não é tão verdadeiro. Existem práticas que ajudam muito, a meditação, o escaneamento. Tenho um parente que passou por uma depressão e não tinha remédio que o ajudava a dormir, ele começou a ouvir meditações e ao ouvir falar do corpo ele dormiu. É sobre a tensão não ficar só no cérebro, tirar a tensão da cabeça, dos ombros, dos quadris, da barriga, perceber os pés, a hora que você vai baixando para o corpo, essa frequência vai diminuindo. Mas não é milagre, não vai ser meditando hoje que você vai conseguir dormir.

Marcela Ceribelli: E as pessoas que dormem meditando, a inveja que eu sinto.

Andréa Perdigão: O desejo da meditação é ficar alerta e não dormir, eu compreendo e dou a maior força para quem tem insônia e quer meditar antes de dormir, mas a meditação em si é um estado de presença consciente, você está relaxado, mas está alerto. Um dos desafios da meditação é não dormir.

Marcela Ceribelli: Andréa, quando você fala que não estamos conscientes do nosso corpo e quando eu penso em dor, penso que somos uma sociedade montada para não sentir dor, temos analgésicos muito disponíveis, mas com tantas soluções rápidas para não sentir dor, você acha que se sentíssemos um pouco mais de dor nós teríamos mais intimidade com o nosso corpo? Talvez para diagnosticar o que ele está querendo dizer.

Andréa Perdigão: Interessante você dizer isso, neurologicamente, a dor é um estado de alerta, está te avisando que alguma coisa está errada, mas ao invés de as pessoas escutarem esse alerta e pensarem no que está errado, elas usam o analgésico, querem cortar a dor e continuamos mantendo e alimentando esse estado de surdez com o nosso corpo. Eu estou há muito tempo nesse mundo da dor e chega gente que tem dor há mais de um ano, por que as pessoas não querem escutar a dor? Porque elas não querem mudar os hábitos delas, treinar ao invés de seis dias por semana, só dois dias porque está com dor, é uma agressão que ela faz para si mesma em nome de alguma coisa. Que imagem eu sustento para mim mesma e para o mundo através dessa dor? E são muitas camadas de entendimento para essa dor, o analgésico é a solução mais simples. Eu lembro de um homem que chegou com uma dor de cabeça de muitos anos e disse que queria estar curado em um dia porque ele não tinha tempo e não é assim que funciona, essa dor demorou anos para se instalar, o corpo dele já estava com a memória da dor. Vejo que as pessoas têm uma intolerância muito grande com o tempo que leva a cura. Temos que aceitar as mudanças, que eu estou mais velha, engordei, tem tantos fatores que quando olhamos para dor, exige um compromisso que as pessoas não querem, é muito mais fácil tomar um remédio.

Marcela Ceribelli: Eu acho que é um pouco sobre pequenas anestesias da ansiedade, como nas redes sociais, como se estivéssemos anestesiados, temos pequenas anestesias no dia a dia. Eu vi em uma entrevista que durante o seu trabalho com dor, você notou que o desejo de se livrar da dor, vem muitas vezes acompanhado de uma vontade de que a vida fosse diferente do que ela é. Quanto que as nossas dores físicas vêm de dores emocionais? Como começamos a conectar? Eu tenho lido muito sobre a fibromialgia ser conectada à uma histeria moderna, como essas coisas se conectam?

Andréa Perdigão: É uma conexão muito delicada, profunda e variável de uma pessoa para outra, mas é óbvia a relação da dor do corpo com a dor da alma, a não ser em alguns casos, como cai e machuquei. Mas a dor crônica, principalmente, é uma dor que fica ali, se formos com delicadeza, a pessoa começa a perceber que essa dor está associada à algum conteúdo e a dor da alma está aí, a dificuldade de aceitar a vida como ela é. É muito difícil aceitar a própria dor, às vezes fazemos tudo certo e dá tudo errado.

Marcela Ceribelli: E o corpo é muito único, por mais que a gente tente colocar regra para todos os corpos, a minha rotina, que eu considero saudável, pode ser péssima para você e vice-versa.

Andréa Perdigão: Com certeza. Mas tem uma relação da dor física, principalmente quando ela é mais duradoura, com a tristeza, o luto. Isso tem a ver tanto a eutonia quanto ao mindfulness, de pensar o que está acontecendo com você, no seu corpo, nas emoções, o que essa dor gera em você? É muito difícil uma pessoa encarar a dor que limita os movimentos, a vida, que você tenha que pedir ajuda à outras pessoas. Tudo está envolvido com a dor, aceitar a ajuda, pedir ajuda, não precisa ser super mulher e dar conta de tudo, pede ajuda, mostra um pouco de vulnerabilidade, a vulnerabilidade nos torna iguais.

Marcela Ceribelli: Quando você fala das nossas dificuldades de aceitar as dores, tem a ver também com as dores emocionais. Eu estou direto em casa e tenho ouvido muitas brigas de vizinho e me peguei chorando desproporcionalmente por coisas que não precisavam tanto, parece que estamos usando de diferentes dores e tensões mais aceitáveis como álibi para descontarmos as nossas tristezas e raiva do que estamos vivendo agora. É muito difícil, crescemos ouvindo “não fica triste, melhora, vai ficar tudo bem” e é um momento em que não tem como não estarmos tristes, mas como vamos lutando contra, chega uma coisa pequena nos faz desabar de chorar. Esses dias um cachorrinho que eu sigo no Instagram morreu e eu chorei muito, aproveitei para pegar essa tristeza e chorar no banho pelos profissionais da saúde, pelas pessoas e eu deixei tudo ir, mas por que eu esperei chegar um fator externo? Fazemos um pouco isso, né?

Andréa Perdigão: Acho muito bonito o que você está falando, mostra uma coisa que os budistas falam a muito tempo, somos uma coisa só. Na verdade, o seu sentimento me afeta, o meu sentimento afeta o outro, fazemos parte de uma única engrenagem, não fomos educados para praticar essa conexão que existe entre nós e o tudo, as árvores, a terra. Essa dor que choramos, que bom que veio um ponto e desaguou isso, às vezes não percebemos o quão tristes estamos, vai acumulando e vem a dor do outro e percebemos que ela também é a nossa dor e dá uma tristeza. Falamos tanto em felicidade “eu não posso me derrubar” se derruba um pouquinho sim, não tem problema nenhum em chorar, está difícil, estamos vivendo em um momento radical. Eu penso muito sobre as pessoas que estão em ambientes tóxicos nas suas casas, imagina quem vive com abusadores. É muita dor e a dor de pessoas que eu nem conheço me afeta, me machuca e é aí que o mindfulness entra, eu sinto a dor do outro e como fazer para não ser engolido por essa dor. Acho que o mindfulness entra para mostrar que dói, eu sinto no meu corpo, na alma, mas existe uma dor adicional que é ficar ampliando e construir uma narrativa, isso nos desaterra e perdemos a cabeça. Não podemos perder a cabeça quando mais precisamos dela. Não nega nada que te machuca, mas você tem que cumprir as suas tarefas, ficar na ação, não ser devorada por essa dor.

Marcela Ceribelli: O problema é que vamos diluindo a tristeza ou a raiva porque não queremos encará-las. Eu sou a favor da prática de chorar até começar a rir, chorar até não aguentar mais, não deixar diluir. Acho que quando vamos diluindo ao longo do dia, não superamos nunca.

Andréa Perdigão: Lidar, olhar para aquilo, reagir, expressar. Podemos expressar conversando e reconhecer que isso faz parte. Existe uma diferença entre analisar e negar, uma coisa é perceber que está doendo e a outra é negar. Precisamos chorar até esvaziar, quando você perceber que está passando um pouco, respira e aí é a hora de recomeçar.

Marcela Ceribelli: Preciso falar publicamente que eu quero gravar mais programas com você, muito obrigada.

Andréa Perdigão: Com o maior prazer, eu adorei conversar com você.

Marcela Ceribelli: E vamos agora fazer uma prática, é isso?

Andréa Perdigão: Isso, é uma boa ideia exemplificar como seria uma prática formal de meditação, o escaneamento. No dia 21/05 vamos ter uma prática mundial de meditação guiada pelo “Calm”, eu vou guiar uma meditação que se chama “Love and kindness” e convido as pessoas a participarem nesse dia, para passarmos por isso junto. Ele também disponibilizou um blog “respire fundo” para mais pessoas terem acesso às meditações.

Gostaria de convidar todos vocês à uma pequena prática de mindfulness, uma meditação específica que se chama escaneamento corporal. Vou convidar vocês a fecharem os olhos, quem não estiver confortável tudo bem, mas é importante que o seu olhar fique um pouquinho desfocado, para você entrar mais para o mundo de dentro do que ficar no mundo de fora. Comece a perceber o contato do seu corpo com a cadeira, o local em que você está sentado ou sentada, perceber o toque dos quadris, das coxas e perceber que parte das suas costas encostam no encosto do seu assento, ou suas costas não encostam em nada, sente as suas costas e onde elas encostam, sente os seus pés, o apoio dos seus pés, o chão, ou se você estiver de pernas cruzadas, sente o contato dos seus pés com as suas pernas e veja se você consegue perceber a posição do seu corpo, sentindo ele. Sentindo onde as pernas se dobram, o eixo da coluna, a direção para onde aponta o topo da sua cabeça, sem corrigir nada, não tem nada para consertar, apenas observar como você se sente agora. E lá do topo da cabeça, começa a perceber todo o volume do seu crânio, a presença das orelhas, os olhos, a testa, o espaço entre as sobrancelhas, vê se essa região está contraída ou relaxada e tenta soltar ela, percebe o espaço interno da sua boca, sente a posição da sua língua e tenta dar um espacinho entre a arcada superior e a inferior, sem trancar os dentes. E pode ser que de vez em quando, o seu pensamento te puxe para algum assunto, alguma preocupação, só percebe para onde foi o seu pensamento e com toda gentiliza, volta para o seu corpo. Sente a região da garganta, soltando todas as forças desnecessárias nesse momento, o peso dos ombros, dos braços, das mãos e sente toda a área do tronco, a coluna, a caixa torácica que não para de se mover por conta da respiração, ela que abriga todos os órgãos mais vitais, inclusive os nossos pulmões saudáveis que respiram e o nosso coração, sente o seu abdome, que também se move com a respiração. Quase o corpo inteiro se move com a respiração, a bacia, que sustenta seu corpo na posição sentada, sente as pernas, joelhos, canelas, até sentir de novo os seus tornozelos, pés, e percebe como você se sente nesse momento. Qual é a sensação que você tem do seu corpo agora. E lentamente, vou convidar a você a sair desse silêncio e quem sabe, no resto do dia manter esse estado de presença e percepção do seu corpo, essa consciência está aí para ser acessada a qualquer minuto e lentamente, você pode abrir os olhos, percebendo o movimento das pálpebras e de abrir os olhos.

Essa foi uma meditação bem breve, mas é um exemplo de como qualquer um pode meditar. Ela pode ser feita como uma pausa restaurativa.

Marcela Ceribelli: A qualidade de presença é algo maravilhoso. Andréa, muito obrigada.

Andréa Perdigão: Foi um prazer, muito obrigada.

Marcela Ceribelli: Muito obrigada a você também, que nos escutou até aqui, mas a nossa conversa não tem fim. Continuamos semanalmente na nossa Newsletter que você pode se inscrever no www.obvious.cc , no Instagram @ObviousAgency e com comentários e sugestões sempre com carinho no [email protected] . Bom dia, Obvious.

Clique na imagem para escutar o episódio <3

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