OBVIOUS

Deixa o ciúme chegar, deixa o ciúme passar


mensagem final dos artigos da Obvious

semanas atrás uma instafriend me mandou um DM perguntando mais informações sobre o curso de formação em psicanálise que frequentei pelos últimostrês anos e, contrariando qualquer explicação lógica ou racional, fui tomada por um acesso de ciúme. sim, ciúme de um curso. sentimento feio de sentir e difícil de admitir, né?

a situação me pegou tão desprevenida que não pude fazer outra coisa senão dormir e deixar pra pensar melhor a respeito na manhã seguinte. foi o que aconteceu: assim que acordei e vi que tava com os neurônios mais no lugar e menos à flor da pele, lembrei do ocorrido e me dei conta da mesquinharia do meu próprio sentimento. depois de reconhecer que na noite anterior eu mais parecia uma criança mimada, mandei pra fulana um verdadeiro dossiê informativo na clara tentativa de superar a culpa por ter sentido o que senti.

ok, mensagem respondida, passemos ao que importa: por que afinal sentimos ciúme?

 e se o ciúme é um afeto como outro qualquer, por que temos tanta dificuldade em lidar com ele? será que sentir ciúme de algo, como no meu caso, vem do mesmo lugar de sentir ciúme de alguém? claro que eu não tenho a resposta pra todas essas perguntas, mas na tentativa de entender melhor o que aconteceu, dei uma pesquisada no assunto e aqui abaixo você encontra os principais achados e reflexões que essa pauta me trouxe.

#01 AFINAL, O QUE É O CIÚME?

o ciúme é um afeto como outro qualquer. ou seja, ele é tão passível de ser sentido quanto o medo, o amor, a angústia e a ansiedade. e por falar em ansiedade, para alguns teóricos o ciúme funciona como uma variação dela, já que ele também pode ser considerado um mecanismo de defesa contra perdas e ganhos (reais ou imaginários).

Augusto Cury investigou a fundo a relação entre ciúme e ansiedade nesse livro aqui. 

#02 POR QUE SENTIMOS CIÚME?

seria essa a pergunta de um milhão de reais? RS as motivações internas que podem levar ao ciúme são inúmeras e, claro, completamente particulare

s de indivíduo pra indivíduo.

começam no medo de perder algo ou alguém, sobretudo quando acreditamos que um atributo – um cargo, um relacionamento, um conhecimento, um círculo de amizade – é determinante e nos define. 

flertam com as nossas inseguranças: quem nunca sentiu ciúme do ou da crush ao lado de alguém que julgamos muito mais interessante, atraente ou inteligente do que nós?

passam por questões mal resolvidas no passado: entram na conta desde sentimentos de rejeição que possam ter vindo da infância até traições em relacionamentos prévios. 

às vezes estão vinculados à necessidade de autoafirmação: ainda com um pezinho na insegurança, quando uma “ameaça” aparece não é raro que a parte ciumenta busque por palavras que confirmem seu valor perante os olhos da outra parte.


e ainda po
dem estar atreladas à expectativa de completude que depositamos em algo ou alguém: ou seja, na ilusão de que nossos vazios vão ser preenchidos. 

as razões não param por aí, mas talvez já tenha dado pra sentir um gostinho e até se identificar com algum dos caminhos, né?

#03 DESPERTANDO CIÚME NO OUTRO

enquanto pesquisava mais sobre o ciúme, caí nessa matéria da Revista Gama, intitulada “o maldito ciúme, o delicioso ciúme”, em que a autora navega pelas dores e delícias desse afeto fazendo um paralelo com seu casamento aberto. 

ali me dei conta que a gente não se vincula ao ciúme só sentindo-o, mas também despertando-o. que atire a primeira pedra quem não gosta de se sentir desejada, de perceber que é capaz de seduzir e cativar alguém.

o texto traz um trecho do livro Casos e Casos, da Esther Perel, que chamou bastante minha atenção, ó: 

“Às vezes, quando buscamos o olhar de outro, não é para o nosso parceiro que viramos a cara, mas para a pessoa que nos tornamos. Não estamos propriamente procurando um outro amante, mas sim uma outra versão de nós mesmos”.  – ouso completar: estamos procurando alguém que nos enxergue de outra forma, com os olhos de quem não conhece nossos defeitos, alguém que valide o que pensamos, acreditamos ou queremos ser

e afinal, se flertar é uma delícia e talvez uma forma de inflar egos tal qual uma selfie no Instagram – quero dizer, algo que não necessariamente vai se consumar em traição – 

por que nos incomodamos tanto em ver nossos parceiros/as tirando proveito da sensação deliciosa que é atrair e se sentir atraído? voltamos ao medo e à insegurança do tópico anterior?

#04 CIÚME PELO DESEJO DO OUTRO

“não suporto a ideia de ver ele com outra, preciso garantir que isso não tá acontecendo!”

mesmo se você fosse a mulher maravilha, não seria capaz de controlar o desejo alheio, seria? então vamos pensar juntas: se render ao impulso de monitorar o que outra pessoa quer ou faz só pode acabar em quê? isso mesmo, em frustração.

 frustração que pode levar ao adoecimento da sua relação pelo excesso de cobranças e expectativas ou a um sofrimento profundo causado por manias de controle, pensamentos obsessivos e tudo mais que o pacote destrutivo do ciúme puder comportar.

#05 OK, SINTO CIÚME. MAS E AGORA?

se em maior ou menor grau todas sentimos ciúme, o grande X da questão parece ser como lidamos com ele, como digerimos, investigamos e expressamos o sentimento, como elaboramos esse afeto que nos invade ao invés de nos rendermos a ele. 

se questionar, às vezes com um simples “por que será que tô me sentindo assim?”, pode nortear uma reflexão que te faça compreender melhor seus processos e abrir caminho para que o ciúme se transforme em alguma outra coisa.

colocar um bom diálogo na agenda do casal também pode ajudar: quando deixamos a outra parte saber o que se passa com a gente a confiança se constrói mutuamente e, pouco a pouco, a insegurança vai embora. 

e você como tem lidado com o ciúme, seu e do outro?

.como já diria caetano,

deixa o ciúme chegar, deixa o ciúme passar & sigamos juntas. 

 

 

 

 

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